Uma régua que mede as horas
É como uma enxada na terra seca
Apenas aflora a superfície
Somente deixa rasgos de esporas
Reza aos santos e depois peca
Vejo o brilho de Vénus a Sul
Como uma rosa a murchar no horizonte
Um ponto de luz a brilhar no azul
Última gota de água que cai da fonte
Bem alto
Como se um livro se fechasse
Um epílogo apenas para dispersar
Uma imagem, um voo, um salto
Uma recta, um raio e um ângulo a fechar
Porque a razão que leva algo a mudar de sentido, é tão somente o inverso daquilo que reflecte o momento presente, sem hesitar um segundo que seja mesmo que o respirar fundo acalme a descompassada arritmia do desejo.


