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Arquivo de Agosto, 2009

Voltar

parar
sentir o barulho ao longe
abrir o livro na página certa
sem morrer na praia deserta
neste hábito já sem monge
dormente no seu rezar
»
voltar
ouvir o fundo do mar
numa onda quieta navegar

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ficar

na penumbra
um dia a diferença esbate-se e os objectivos esfumam-se

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do mal o menos

se não for para nos sentirmos pequenos.

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Mais um dia à sombra

fiquei sentado a meio caminho, olhando, esperando. tanto espera quem está como quem vem. quando alguém desce há sempre alguma coisa que sobe. e nem sempre se voa…

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Retrocesso

não me chegam os dias de sombra
austera
e aqueles que já ninguém lembra
dão-me paixão sincera
duvido que haja perdão
para esquecer quem disse não
sabendo que ao fazê-lo
destruiria o breve apelo
nem sempre a luz te ilumina
nem sempre a noite te guarda
e quando a cortina é parda
além dela nada se destina
sente o recuar da maré
diferente do que amanhã é

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rede 2.0

nos caminhos percorridos fica sempre a marca invisível

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Rios sem pontes

sabendo onde passar a vau, porquê escolher o mais largo e fundo?
nobody knows
not only the sun glows

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in-pensar

à pressa modifiquei a distância
só depois percebi que era imutável
era tarde e não tinha moedas
adormeci
ao longe a lua crescia
só então haverá outro dia

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I’m Nobody!  Who are you?
Are you — Nobody — Too?
Then there’s a pair of us!
Don’t tell!  they’d advertise — you know!
 
How dreary — to be — Somebody!
How public — like a Frog –
To tell one’s name — the livelong June –
To an admiring Bog!
Emily Dickinson
quanto mais te afastas
mais te aproximas do não
e soltas as frases [...]

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