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Arquivo de Novembro, 2009

Surpreendente imaginação

Suspenso na tela abstracta, cheio de visões e nuvens brancas de desistência, é apenas um adereço fora do sítio. Onde já esteve o vitral azul. Camareiro do arco-íris.

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Sextilha da terça

num mundo feito pequeno
não há nada sereno
como se tudo o resto fosse
entre o amargo e o doce
ideias soltas que inventa
sem as passar à sebenta

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Por vezes

Camuflado na penumbra desmistificada da ausência, jaz sentado na orla da necessidade perdulária, na imaginação fértil em coisa nenhuma. What took you so long?

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Indução em branco

guardo a linha e a agulha
apanho as rédeas soltas
num rosário que já não se debulha
a prece dá outras voltas
defendes-te atrás da pequena ameia
sem armas e sem nenhuma condição
já nem a romântica alma se incendeia
talvez um dia se semeie a razão
em cada momento cinzento
todo o alicerce merece
um pilar no seu lugar
um outro lado sem passado
um presente [...]

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Telhados de barro

Um dia saí de casa. Sem pão nem razão. Andei perdido, comi côdea. Encontrei um tecto que logo ruiu.
Para trás ficou a textura suave nas minhas rugosas mãos de carrasco.

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Não há forma de gostar

cada som que vibra no azul
prende o que resta da surpresa
esvoaça ao sabor do vento do sul
deixa migalhas em cima da mesa
–//–
entender as palavras lidas
já não é motivo para ficar quieto
duas linhas para sempre esquecidas
num passado rasgado e secreto
~¨¨~
não há forma de gostar
da solidão que morre no mar
e por mais vezes tentar
saber o que é [...]

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Trindade

Há coisas com defeito. E há outras com feitio.
Acho que tenho em barda.
Dos momentos cruciais, triviais e quase banais que se tornam a trindade da vida, fico à porta de todos….. é defeito ou é feitio?

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Hora do lobo

At that hour – James Joyce
At that hour when all things have repose,
O lonely watcher of the skies,
Do you hear the night wind and the sighs
Of harps playing unto Love to unclose
The pale gates of sunrise?
When all things repose, do you alone
Awake to hear the sweet harps play
To Love before him on his way,
And the [...]

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Green house window

De cada janela aberta pelo vento, há uma aragem nova que entra. Lá fora é constante. Saio pela porta.

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Bocado

nada há onde se perder
nem a solidão
mas depois há negação
da noite ao amanhecer
espera pelo nó cego
que começou por ser laço
faz aquilo que eu faço
diz aquilo que nego
 

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