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Arquivo de Janeiro, 2012

Estar

mais um que se junta ao lamento da rotina viciante e pobre no meio de um grande tormento neste círculo fica a secante e a virtude pouco nobre tudo se tenta se a indiferença atenta mas nada se lamenta se a falha aumenta sublime é a linha que separa lados opostos funda é a ferida [...]

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Mesa vazia

ergam-se taças de cristal digam-se palavras de circunstância passeios pensativos por essa marginal repletos de vagas lentas de elegância « ¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨» se fores um dia paz na guerra vida em casa vazia semente única na terra serás flor de inverno ao sol frio abraço terno num olhar vazio

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Ainda

então se o silêncio a solidão a lua cheia fossem a unidade simples do universo não era necessária a morte ter nas mãos um difuso reflexo e na alma uma folha sempre cheia de trocas e lutas de ocasião o justo é um cavaleiro sem espada de capa rota e vingança velada neste sangue que [...]

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se tens que saber a força da escuridão das paisagens haverá sempre alguém que torça a toalha molhada a semente mirrada o anel apertado o papel rasgado repete-se o hábito de seguir a linha morta da dor para lá do cúbito guardada atrás da porta

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Absoluto eco

se assim for a perdição de saber um reflexo negativo do pudor a discórdia inocente para escrever errar e vender a alma que o diabo não merece um plano fechado que se filma onde apenas o acaso aparece o que retorna é a verdadeira melodia transparente o brilho que adorna a sombra fria e cadente

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I hide myself within my flower That wearing on your breast You,unsuspecting, wear me too – And angels know the rest I hide myself within my flower, That, fading from your vase, You, unsuspecting, feel for me Almost a loneliness

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Escarificar

perder noção da vida desconhecida dormir ausente na terra lavrada encontrar razão na paz perdida enfrentar o medo da palavra ousada erguem-se ao longe as brisas frias montam-se as invisíveis defesas nas sombras leves que guias escondem-se as simples belezas criar é breve morrer é memória numa nuvem leve se some uma história

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se houvesse justa sabedoria

haveria defesa para a superstição perdida pela sinfonia da perdição

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Sentidos

sempre a meio-caminho entre o abismo e o porto de abrigo sem armas para a guerra sem armas para a paz – suja camisa de linho usando sempre o mesmo segredo que a ninguém digo – sentir nas mãos a terra e tudo o que nela jaz ¨ dentro de ti há muito saberás dar [...]

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eye

cresce a noite sem estrelas fria a alma dói-te como as palavras singelas na folha vazia falta tudo o que se teve olha-se e esvazia-se o momento é breve a euforia vai-se

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