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conjuntivo imperfeito

3AM

Photo credit: Jacksoncam via Visualhunt / CC BY

muda e sê

amanhã é tarde para ser

o que ninguém vê

tudo é rápido

tépido

depressa demais para perceber

se a luz te engana

e te expões ao aroma das rosas

que sempre emana

e se perde no vento frio

ou no fundo de um rio

de margens silenciosas

e quando adormeces e sonhas e choras

nos recantos onde te demoras

continua a ser cedo

para ter medo

de perder, partir, ser, existir

máscara

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não, não há em mim mudança

nem riso nem lágrima, apenas eu

que espera e alcança

que guarda o sol no silencioso breu

#

não entendo nem pretendo

escuto mas nem sempre ouço

as palavras e os ritmos em crescendo

já não chego à água do fundo do poço

#

deixem-me lá ser o que sou

é tarde para ser diferente

gosto da quietude onde estou

de ser cometa ausente

#

já perdi o método e a obsessão

ganhei pouco para além do sorriso

mas se um dia me ouvirem dizer: não!

talvez aí já não seja preciso

passagem

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Photo credit: Community Photography ‘now & then’ via Visual hunt / CC BY-NC

a verdade absoluta das coisas

vem sempre na escuridão

nasce na aurora da paixão

nos sonhos onde sempre poisas

¨¨¨¨¨¨¨¨

disseste um dia

que o vento

era uma alma vazia

agora sou eu

sem talento

que esvazio esse breu

¨¨¨¨

sim, deixa-me dizer não

que não te estenda a mão

só, corda sem nó

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Photo via VisualHunt.com

agora

a noite é vaga

que a mão a traga

onde a memória não floresce

e a cortina se feche

agora

que há carreiro de formiga

a semente brava que o diga

quando o vento falha

e a sorte não calha

agora

acabou a luta

só há roupa enxuta

aroma e poema

dúvida e dilema

limitar

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Photo via Visual hunt

há sempre um limite

num longo ocaso

seja no fim ou no início

no silêncio dum precipício

numa resposta com atraso

que o esquecimento nunca hesite

numa redoma feita de espinhos

no que foi e nunca mais será

do que sobra do que ninguém terá

todos juntos e todos sozinhos

slow tempo

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Photo via VisualHunt.com

Abre um buraco na terra, lentamente

Deixa que o movimento contínuo se dissolva

Como se amanhã a rotina ficasse ausente

Numa expectativa que a sombra fresca resolva

.

Cobre as raízes com a terra solta

Aquela que um dia será parte de nós

Rega com água da fonte, tudo à volta

E os grãos soltos não ficarão sós

.

Verás com prazer o seu crescimento lento

(todas as semanas a copa aumenta um pouco)

Ouvirás a cantiga das folhas ao sabor do vento

.

Mesmo que não tenha flores nem frutos

Alimentada pela ráiz e pelo mundo louco

Ficará como estátua feita por muitos

.

Ao final do dia quando o horizonte fica vermelho

Alisa a terra onde me ajoelho

Retirando ervas daninhas que teimam

Para que amanhã ao nascer

Quando os raios de sol as queimam

Haja vontade de viver.

Velho a mais na estrada

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Photo via Visual Hunt

foi devagar
que o caminho se fez
mas neste lugar
já não há senha de vez
toda a redenção é amarga
líquida e breve
e se a saída é larga
a carga é leve
o domínio das batalhas
e das espadas
sempre teve lugar numa sebenta
mas atirar ao calhas
subir pelo corrimão das escadas
descansar onde ninguém se senta
e aos cinquenta
a sabedoria acalma
a memória é lenta
modela-se a alma