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Archive for 3 de Maio, 2009

Numa outra margem

0103

Há um tempo e pouco espaço, deste lado em que observo. De braços cruzados.

XLIII

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,

Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.

A ave passa e esquece, e assim deve ser.

O animal, onde já não está e por isso de nada serve,

Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

 

A recordação é uma traição à Natureza,

Porque a Natureza de ontem não é Natureza.

O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

 

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

Alberto Caeiro

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