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Archive for Abril, 2011

Fast lane

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Retiro sacrificial

ah maldita pobreza de espírito cru

quando atingir a coisa mais simples da realidade humana

fica em revoltas vagas morrendo na praia deserta

não é flagelo nem castigo

é a circunstância de não existir

um adjectivo que assedia e afoga as emoções banais desde sempre

o pó do caminho

o sol que queima

companheiros de sangue que rumam com destino inato

não há escolha nem retrato

tudo se assemelha a uma tela branca, a tinta seca e a pincéis gastos

viagem sem conteúdo

sentado à porta num banco de bunho

para quê entender o que não tem método, não tem sintonia?

a memória apenas aguenta os números, as frases curtas e o silêncio sombrio

será esse o legado do inconclusivo e ingénuo passageiro?

>

não me digas que sou

algo que te sorri

se me chamas eu vou

e fecho-me aqui

deste lado sempre estou

mas não chego a ti

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indefinido

quando os olhos gastos dizem mais que a tua boca

a alma é cega e a vida oca

se desistes da vitória por uma curva apertada

a noite é clara e a manhã vem do nada

pois é assim que os dias cinzentos acontecem

o pó acumula e as perdas se tecem

pudesse ser apenas eu

canto redondo no escuro breu

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num segundo não está a morte certa

se partires e ficar atrás uma porta aberta

lembra sempre quem nada te disse que fosse obra feita

lençol frio em cama desfeita

<

acreditar em simples aviões de papel

voando ao sabor de beijos impossíveis e palavras de mel

nunca há riquezas no final desse arco-íris de primavera

se te sentares sem esperança na paz que te espera

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Limiares

toda a constância transmitida nesse rosto

é vertigem refeita em terra molhada

seja a alegria intensa da partilha

ou a nuvem grossa de um opaco desgosto

tudo habita sem que peças algo pela morada

nem toda a lágrima segue a ruga que a idade trilha

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Paisagem pontual

não interrompam a leitura deste livro velho e fechado

é crueldade doce e beijo amargo

sobram sempre as frases pensadas à exaustão

se houver pouca sombra esqueço quais são

as distâncias inertes nunca se encurtam

nada mais cabe na caixa onde as lágrimas se guardam

proeza sonhada num surpreso afago

é esse pensamento leve que te torna pesado

perdida a lembrança inteira

fica a saudade sem eira nem beira

que o vento te traga

numa brisa que embriaga

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