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Archive for Maio, 2011

Taciturno

 

Há ouro marchetado em mim, a pedras raras,
Ouro sinistro em sons de bronzes medievais –
Jóia profunda a minha alma a luzes caras,
Cibório triangular de ritos infernais.

No meu mundo interior cerraram-se armaduras,
Capacetes de ferro esmagaram Princesas.
Toda uma estirpe real de heróis d´Outras bravuras
Em Mim se despojou dos seus brazões e presas.
Heráldicas-luar sobre ímpetos de rubro,
Humilhações a lis, desforços de brocado;
Basílicas de tédio, arneses de crispado,
Insígnias de Ilusão, troféus de jaspe e Outubro…

A ponte levadiça e baça de Eu-ter-sido
Enferrujou – embalde a tentarão descer…
Sobre fossos de Vago, ameias de inda-querer –
Manhãs de armas ainda em arraiais de olvido…

Percorro-me em salões sem janelas nem portas,
Longas salas de trono a espessas densidades,
Onde os panos de Arrás são esgarçadas saudades,
E os divans, em redor, ânsias, lassas, absortas…

Há roxos fins de Império em meu renunciar –
Caprichos de cetim do meu desdém Astral…
Há exéquias de heróis na minha dor feudal –
E os meus remorsos são terraços sobre o Mar.

 

Mário de Sá-Carneiro

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Ausência cromática

 

de zero a nada

não se constroi uma vida

apenas se guarda a espada

para a lição da despedida

mas nessa única beleza

que apenas meus olhos vêem

repete-se a vã incerteza

de não seguir aqueles que sabem

e se não sigo a corrente

nem a água parada

sou apenas mais um ausente

da luta do tudo ou nada

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blank

quando o erro é inóspito

e a indiferença fermenta

nada mais te aconchega o espírito

só a emoção aumenta

mais uma chama que se apaga

mais um pensamento que se enrola

nem tudo o que a verdade traga

vale a cerca que te isola

há sempre quem esteja contigo

como barco amarrado

na paz dum porto de abrigo

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ping.ar

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Ficar em

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis

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A alma nasce velha e torna-se jovem, eis a comédia da vida. O corpo nasce jovem e torna-se velho, eis a tragédia da alma.


Os homens sempre desejam ser o primeiro amor de uma mulher; este é um efeito da sua insensata vaidade.

As mulheres têm um instinto mais subtil. Elas desejam ser o último amor de um homem.

É uma pena que nós levemos a sério as lições da vida só quando já não nos servem para nada.

in Meditações de Óscar Wilde

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paira ao redor da intensa escuridão

a folha morta

o beco esquecido

tudo se enrola tenazmente em volta do não

sem nunca sequer abrir a porta

tentativa vã do sentimento perdido

tudo aquilo que puxa a cortina fechada

tornará-se naquilo que empurra

quando o remorso não valer de nada

e a sincera verdade morra

se souberes então que parti

saberás que me esqueci de ti

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