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Archive for Setembro, 2012

outras coisas que voam

as ideias que há por aí

perdidas

em chamas voláteis

envolvem as asas dos pássaros na névoa difusa

por simpatia convexa que vem daí

remontam a ontem, como crianças esquecidas

versáteis

e brincam com lápis de cera que ninguém usa

¦

a melodia que ecoa horas e horas a fio

dentro da alma errante

navega como folha na corrente oscilante de um rio

mendiga os sons como se pensasse distante

¦

a borboleta morre

mas fez a sua viagem com sol e coragem

jaz no leito do rio que já não corre

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Meante

Thirty (Trente), 1937
Wassily Kandinsky

quando te olhas assim

mais que um olhar

uma infusão de jasmim

uma lágrima a secar

quebra o espelho

deixa a noite dormir

beija o sangue vermelho

que deste sempre a sorrir

é essa dívida que nunca se salda

o peito aberto

o mar revolto cor de esmeralda

desperto

ergue a tela sem cor

grita o silêncio da alva madrugada

pinta a nuvem sem dor

abraça a chuva na chegada

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Hard lines

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Solo

guiada pela confiança

desce do seu mundo breve

justiça feita por corda e trança

num haver sábio que nunca deve

próxima de ser nada

o mar recua

a mão suada

a visão nua

onde foi que a raiz se desprendeu

para lá da luz, para lá do breu

sinais de devoção caída

à porta do templo amplo

onde a entrada é saída

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Menos

na linha cheia da quadrícula vazia

os números ficam

iguais

quando amanhã acordar sereno outro dia

espero que nada me digam

pois as somas são banais

onde o vento não existia

as lágrimas quentes chegam

como nau ao cais

e tudo o que cai

no esquecimento

recolhe e sai

para esse relento

não tem mãe nem pai

apenas um doce cinzento

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Ir

o caminho é água

pura

a noção é vento

frio

a moeda é troca

justa

a curva é mágoa

que não perdura

o momento

cria o desafio

a mão que se coloca

onde o passo assusta

guia-se a rota

pela fé

cega

passou a estar morta

em pé

sem entrega

esquecer o horizonte

do ocaso

no fim há quem conte

os segundos de atraso

vê a linha contínua

que se quebrou algures

enquanto cresce a lua

nos sonhos que augures

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Palco

não me conheces

eu não me conheço

se há coisas que mereces

são coisas que não pareço

já não fumo cigarros de circunstância

sabes mas não dás importância

não sou contra regras

antes contra-regra a murmurar

nesse palco de luzes negras

onde o diálogo é calar

não deixes nunca de acabar o inacabado

o incompleto

eu fujo do foco indiscreto

fechado

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