Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Outubro, 2012

entre agora e jamais

encosta o barco no cais

e segue o caminho para onde não vais

dorme e sonha com o mundo

nem que seja por um segundo

aquele onde nada é profundo

e se de manhã não houver vontade

deixa crescer a saudade

e não penses na verdade

ergue os olhos às nuvens

sente a pressa das vertigens

nenhuma tem preces virgens

tempo de recuar e ser igual

justo como o seixo do rio

inteiro como resto decimal

desperto como o vento frio

Read Full Post »

Fel

num dia em que tudo ao redor

é ombro e regaço

sentado à espera

preenche-se o pior

esvazia-se o espaço

rebola-se a esfera

do amargo se faz

surpresa fútil e muda

o outono traz

outras folhas à vida

quieto num canto

nunca cai

e para muito espanto

levanta-se e vai

Read Full Post »

Em volta de um plano

em volta de um plano

risca-se a parede suja

talvez seja um engano

(esta dúvida galopante em voo de coruja)

maldita a antiga cortina rasgada

toda uma certeza em lume brando

balançando devagar entre o tudo e o nada

aguentar o nó cego até quando?

bem no meio está a confiança exausta

olhos fechados sem sono

fome feliz em mesa fausta

plúmbea alma sem dono

Read Full Post »

Nascer

nu

assim despido de nada nasci

e tu

em tudo o que aprendi

ficou muito mais que virtude

mas não pude

estender ao longo da viagem

a nua coragem

sem capas nem conchas protectoras

margem do rio

cor quente num dia frio

a fé que adoras

Read Full Post »

Blue October

Read Full Post »

Casual

guardem-me um espaço para me sentar

e adormecer sem saber porquê

deixem-me olhar para o vazio racional

onde se busca a razão aberta, de par em par

tudo o que se deseja é aquilo que se vê

ainda que a visão seja toldada pela emoção sideral

sobre os ombros cansados cai a remediada incerteza

sublime e austera

sob o queixo trémulo passa a incontável beleza

ofegante e sincera

ao acaso lança-se um abraço aceso

que cai sempre onde tem menos peso

Read Full Post »

Origami

foi um simples olhar, no meio da confusa ignorância

as mãos abertas como fonte de água pura

um arco-íris num tímido sol de circunstância

que derrubou uma defesa frágil mas segura

ξ

brisa breve

desejo doce

lágrima leve

ou fosse o que fosse

partiu

como pássaro de papel

sorriu

ao destino cruel

Read Full Post »

Older Posts »