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Archive for 17 de Outubro, 2012

Ciclo(ne)

chove

e não sei onde é a saída

em tudo o que move

há uma breve partida

à noite

fica em mim o velho passado

como um açoite

ou um caminho sagrado

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Algures

Gosto do céu porque não creio que ele seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa algures e algures acaba
E que longe e além disso há absolutamente nada.
Creio que o tempo teve um princípio e terá um fim,
E que antes e depois disso não havia tempo.
Porque há-de ser isto falso? Falso é falar de infinitos
Como se soubéssemos o que são ou os pudéssemos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.

Fernando Pessoa – Alberto Caeiro “Poemas Inconjuntos”

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_under_destruction

porque a soma nem sempre é inteira

e a ideia perdida na mente preenchida

(exibir resultados de outra causa menos verdadeira)

resumida

ergue aos poucos a barreira escura

de onde nada reflecte ou ecoa

e a mão insegura

perdoa

mas mais e mais contraste absurdo e intrépido

domina o palco e os bastidores

um esgar rápido

revelará tudo o que fores

cresce lentamente sem raiz nem terra

foi assim que nasceu chorando

quando se aprende sempre se erra

e há uma lágrima de vez em quando

se houver um vau

deixa a ponte

depois de um dia quase mau

a noite não tem horizonte

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