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Archive for 19 de Outubro, 2012

Void

tentar nem sempre custa

mesmo quando o vazio rompe o peito

tudo lá ao longe parece demasiado perto

saído da bruma lunar

ficar parado na aurora triste e luminosa

se houver condição de ser assim

ausência de emoção

garra de esquecer

seja lá o que o destino for ou invente

deixei de ser crente

de ser

uma parte de mim envolta em desilusão

lutando cá dentro por um velho motim

afiando a lâmina desta espada generosa

e ficar

pensando nas letras pequenas deste livro aberto

caminhando ao longo deste caminho estreito

rezando na sombra desta vida injusta

ð

(quanto mais procuro as palavras, emoções soltas, menos elas surgem, ou não as encontro no turbilhão outonal; quase nada traz a lume novas ideias, novas conquistas, novos desejos, velhos sonhos – seja por vontade imaterial de perceber a vida de forma linear ou apenas por comodismo adquirido de tantos anos [como diria a professora primária]; não encontro dois sentidos numa palavra ou numa pessoa, sou unilateral, egoísta e ingénuo, reflexo positivo com carga negativa; nem sequer penso nos milhões de pessoas e gestos que há neste mundo desconhecido, apenas admiro a Via Láctea e o quarto minguante, onde deves estar à minha espera, com a curva da mão na curva do queixo, o olhar terno e o cabelo solto; para quê procurar a eternidade?)
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