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Archive for Novembro, 2012

Ondas

um dia navegas em mares sem cor

e o horizonte é um dia igual

a outros tantos a que cedeste à dor

uma mera paz habitual

e quando acaba mais uma preia-mar

voltas para trás da cortina

e deitas-te ao luar

que tudo te ensina

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não escrevas comigo

pois verás que há tanto vazio em mim

uma porta sem postigo

mas enfim

algo que digo

brota sempre de nascente ruim

não me leves contigo

deixa-me limpar a proa

no meu porto de abrigo

onde esta velha canoa

navega até onde consigo

mesmo que a maré não seja boa

e para sermos dois

bastam os olhos fechados

tudo o mais vem depois

a preto e branco pintados

e assim estaremos, pois

no velho banco sentados

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Uma verdade que voou

era um sonho sem sol
uma terrível tristeza talvez
mas mesmo essa era
um bago de arroz que se engole
um de cada vez
para tapar a fome austera
¤
eram asas
anjos não cantam
tantas recusas
que te desencantam

lá longe onde há infinito
cresce outra tempestade
tudo o que já foi dito
tem o doce da saudade

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em todo o lado

escolho um ponto ao acaso

onde a morte namora a vida

para certas poupanças não há prazos

o arrependimento tardio a meio da subida

¨

no tempo estão todas as dúvidas

no espaço cabem os preconceitos

para além dos sonhos imperfeitos

e das paisagens perdidas

¨

foge e ganha a coragem

julga que o se é por que

e o passado uma passagem

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Condicional

mão

onde os dedos são diferentes

se forem fechados

entrelaçados

são concha sem pérola

rios sem afluentes

– depois Deus sem auréola

universo sem união

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gira o mundo e o carrossel

sopra o vento e amaina a vontade

rasga-se a alvura feita de fel

ainda assim, a pausa da verdade

š

dizer e memorizar citações ao acaso

coisas que ninguém lê num banco de jardim

sementes de perdão lançadas num vaso

as lágrimas amargas chegam sempre no fim

já não há ideias de hiato

filosofia sem intenção

nem tudo o que sai é exacto

vende-se a alma e o coração

hoje há histórias

que são apenas memórias

amanhã estarão

enterradas debaixo do chão

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Amargo

ao longe sente-se o aroma do abrigo

a emoção de chegar perto

como se amanhã fosse um dia sem mácula

subir as escadas para lado nenhum

perder o medo, alinhavar o perigo

caminhar sem pressa na areia do deserto

onde a prece salvadora nunca pula

e mesmo aí sou apenas um

na boca há

algo que fica rasgando

o que ficou lá

atrás, lembrando

os breves dias

em que dizias

que guardamos em nós

as marés em que estamos sós

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