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Archive for Março, 2013

Aleluia

o sangue corre
nas veias como se fosse
um gesto que morre
no açúcar do algodão doce
tem a cor
da alma cheia
de pranto sem dor
como a rua da minha aldeia
§
feita a penitência
volta a paz cinzenta
a breve ausência
de uma fé que se lamenta

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Fade in

quando se sabe

e se diz que talvez amanhã seja

que o silêncio acabe

mais do que se deseja

o mito transforma-se em algo florestal

onde apenas entram alguns raios de sol fugidios

que se roubam por mal

e se lançam nas correntes calmas dos rios

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hoje tive que enfrentar a corrente de ar fria

como se fosse  a tua mão

que me apoia a testa quando soluço

mas ao longe eram cores quentes

e surpresas esperadas

irrita-me a romântica ideia de ser conjunto

de ter mais diferença que magia

essa janela virada a sul

por onde entra a ilusão

e as estrelas brilhantes das fadas

que pintam, por momentos, o meu cabelo ruço

austera promessa de conversa sem assunto

sem rumo, as lágrimas que consentes

blur

se a condição é difusa

diz o que vem depois

sem premeditar o amanhã

reunido todo o clã

de somente nós dois

e onde a vontade é intrusa

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May I

image

crescem os dias
se olhares para o horizonte
de olhos fechados
e mãos vazias
então talvez um dia conte
as estrelas e os pecados
¤
justo é aquele que diz
que pode e deve, sem ser juiz

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21

tree-in-blossom

todos os dias me deito

e na cabeça despontam

palavras que doem no peito

que de tanta escuridão não aguentam

o abandono e a incerteza

mais do que uma gota de água doce

mais, muito mais que meditação

tudo o que imagino mais não fosse

um bater suave do coração

uma vela perfumada sempre acesa

só quando a morte junta as mãos

se recorda a vida que se finou

tristezas, alegrias e senãos

e tudo o que por dizer, ficou

mas onde há lágrima

há ombro e conforto

há barco, farol e porto

¨

o olhar volta-se para cima

onde há sol, noite ou nuvens

e aí despontam floridas paisagens

e se a poesia parece

uma prosa a florir

tantas vezes me apetece

um caminho árduo seguir

ψ

são apenas palavras constritas

gotas de chuva suave

são imagens quando ditas

feridas que a leitura lave

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A poem should be wordless

Ars Poetica 
A poem should be palpable and mute
As a globed fruit,Dumb
As old medallions to the thumb,

Silent as the sleeve-worn stone
Of casement ledges where the moss has grown–

A poem should be wordless
As the flight of birds.

*

A poem should be motionless in time
As the moon climbs,

Leaving, as the moon releases
Twig by twig the night-entangled trees,

Leaving, as the moon behind the winter leaves,
Memory by memory the mind–

A poem should be motionless in time
As the moon climbs.

*

A poem should be equal to:
Not true.

For all the history of grief
An empty doorway and a maple leaf.

For love
The leaning grasses and two lights above the sea–

A poem should not mean
But be.

 Archibald MacLeish

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Gente

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Not me
Not the nothing i used to be
Drowning in reels of simetry
Always
All that the sky is
Look up, down on your knees

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Redux

Nobody knows where you are, how near how far

Os segredos guardam-se, ou seriam apenas moeda falsa
¿
Nesta condição de temer
Há gesto e esconderijo
Feita de amor e sofrer
De desejos que não exijo

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Delay

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fiquei

senti a proximidade da rotina

da mão que ilumina

a escuridão que roubei

disse

mas ficou cá dentro a semente

a raiva inconsciente

nem uma ideia que se visse

espero

sentado aqui, onde há pausas imensas

longas demais para serem intensas

pobre demais para ser sincero

escreverei

se assim houver páginas vazias

luzes sombrias

– mais não sei

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