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Archive for 13 de Junho, 2013

Hoje li e reli

e de todo o lado chovem as palavras que me servem de almofada, de filme vintage, onde o silêncio impera.

sossego é um sentimento simples e supremo, mas há dias em que tudo se conjuga, conspira.

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Às vezes, quando ergo a cabeça estonteada dos livros em que escrevo as contas alheias e a ausência de vida própria, sinto uma náusea física, que pode ser de me curvar, mas que transcende os números e a desilusão. A vida desgosta-me como um remédio inútil. E é então que eu sinto com visões claras como seria fácil o afastamento deste tédio se eu tivesse a simples força de o querer deveras afastar.

Vivemos pela acção, isto é, pela vontade. Aos que não sabemos querer — sejamos génios ou mendigos — irmana-nos a impotência. De que me serve citar-me génio se resulto ajudante de guarda-livros? Quando Cesário Verde fez dizer ao médico que era, não o Sr. Verde empregado no comércio, mas o poeta Cesário Verde, usou de um daqueles verbalismos do orgulho inútil que suam o cheiro da vaidade. O que ele foi sempre, coitado, foi o Sr. Verde empregado no comércio. O poeta nasceu depois de ele morrer, porque foi depois de ele morrer que nasceu a apreciação do poeta.

Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se o não fizerem ali?

s.d.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares.Vol.I. Fernando Pessoa.

(Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982  – 85.

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Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço
Nada mais quero nem peço
Entrego-lhe o coração

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