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Archive for 21 de Março, 2014

Deveras

sinto. não há hoje um fim
nem abraço
nem poema
só um banco de jardim
uma página sem traço
de nostalgia. dilema
       vou plantar a utopia
       imagina!
       não há em lado algum
não escrevo
não tenho sentido
do honrar devido
só pago o que devo

sinto. que hoje, afinal
o bolo tinha bolor
e a poesia, final…

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Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill

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Chuvas

Poema
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

António José Forte
Uma Faca nos Dentes
Prefácio de Herberto Helder
Parceria A.M. Pereira
Livraria Editora, Lda.

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Escape

quando a alegria avança
nas palavras frias
a vontade dança
contra todas as ousadias
e os caminhos do nada
tudo fingem na madrugada

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Água

corre da nascente
abre caminho devagar
inunda o coração doente
para a sede não há lugar

não tem deuses
nem juízes
é alegria e mágoa
a alma da água

livre e nobre
está na lágrima
no coração pobre
na maré próxima
deu e perdeu
no que nunca foi seu

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Gestos

quando apenas a cortina
aberta
e a surdina
imensa
te desperta
de forma intensa

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Ilustrações

ser para sempre só

nessa tela e nessa folha

nessa janela coberta de pó

por-do-sol que ninguém olha

¦

de promessa

a perdição

a esquecimento

que a verdade nunca te peça

a verdadeira razão

de seres apenas um bonito momento

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