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Archive for Junho, 2014

A única unidade

 

O jardim e a casa

Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner Andresen in Poesia I (1944)

 

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Hora própria

dias não são dias, se a brisa antiga que os semeia tiver justiça sem balança, propriedade menor da ilusão das noites quentes.
hábito da rotina suprema dos anjos que povoam sonhos inócuos, voando sem asas, chorando sem lágrimas.
e assim passa a ocasião, num segundo mais longo que a própria morte.
a que virá, suave…

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Run to the sun

por mais que faça
e o destino desfaça
depois do fim do dia
e da água que esfria
a noite diz-me obrigado
na surdina do passado

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Cesta

final cutter

 

todo um viver vago

como uma onda num lago

diâmetro infinito de nada

degrau partido na escada

longe do fim

perto de assim-assim

prateleira de livros esquecidos

sonhos ardidos

cesta de fruta cheia

de quarto crescente a lua cheia

esboço ténue de alçado lateral

doce amargo do bem e do mal

já nem sei o que é que há dentro da alma

se uma noite cinzenta ou uma manhã calma

são apenas dias

e frases vazias

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Meio-dia

Shaded

 

há tanto tempo no escuro

sem destino traçado

sentado atrás do muro

salto na busca fria desse lado

 

e de tarde, quando o sol ilumina

a parede branca de cal

toda a sublime escuridão termina

mas a penumbra morna é a habitual

 

desse breve instante de alegria

guardo todos os dias um segundo

e quando amanhã for meio-dia

tenho um pouco mais de fé neste mundo

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MAPA DE SONHOS

 

Quero levantar-me

E não o consigo

Talvez queiras enviar-me

O mapa por onde não sigo

Daqui só vejo um enorme

Campo de restolho de trigo

Onde o Sol ás vezes dorme

E a Lua não tem abrigo

 

Vou quebrar um laço

Que me custou a fazer

Mas tudo o resto é tão baço

Espero com isto aprender

 

quarta-feira, 13 de Junho de 2007 21:07

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Nove e tal

De resto, a paciência vai a caminho do vazio, um abismo astral, a disposição é côncava, uma redoma suja. E há tanto caminho, tanta curva, pouca sombra, estrelas baças. Fecho os olhos e respiro fundo. Diferencial bloqueado…

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