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Archive for Novembro, 2014

está quase tudo a acabar
sem ter um fim
só se ouve um murmurar
do vento naquele jardim
onde me sento
e ouço o vento
o murmúrio sou eu
o livro que ninguém leu
o poema que ninguém disse
a força que jamais se visse
uma partícula de pó
um átomo só
caminhando devagar
fugindo de mim

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Demora

tirei tudo o que havia em mim
que não era nada
demorei tanto que fiquei assim
vazio como a curva da estrada
busquei na gaveta da esperança
encontrei a fé que nunca dei
só porque desconhecia a confiança

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Opacidade

Sentado no mocho

pausa

arrefecer por cansaço

nunca buscar a causa

por calar aquilo que faço

:

cortar

tirar o excesso

dizer tudo sem pensar

vantagens que nunca peço

»

resiste

enfrenta o avanço

e quando o cansaço existe

alimenta o teu descanso

#

penumbra

retorno

sombra

dia morno

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Do tanto que me esqueço

os navios partem no horizonte
na memória fica a partida
e o vento frio na face
por mais páginas que conte
nunca serei metade definida
nem estrada onde estranho passe
   há um dia para partir
   há uma noite para sorrir
   e deixar o passado fluir

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E então

de certa ilusão pelas paixões
e de paixão pelas ilusões
construí um castelo sem ameias
guardei tudo numa caixa que dei
ao acaso e a muitas marés cheias

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Mais

cada dia que passa
tem mais silêncio
mais escuridão e frio
e em cada gesto que faça
há mais rotina
mais abstinência
e nem a razão da ciência
debita a sua surdina

nas tuas mãos há tanto passado
que revivo com emoção
as lágrimas dão-te a razão
de um desejo nunca realizado

se houvesse forma sem substância
se mais houvesse do que simples distância

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Apenas

tão pequeno
é a dimensão que muda o ensejo
liberta e navega sem rumo
nesse mal que não entendes
de todas as batalhas te defendes
sem argumento nem resumo
apenas um desejo
de um amanhecer sereno
,…
angústia de sete dias
e mais sete
de mãos frias
onde a esperança se intromete

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