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Archive for Março, 2015

Contra dança

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ter tanto vento para voar
saber subir nessa corrente
ascendente
sentir o sol
soltar o nó do anzol
cá dentro são apenas laços
mas não há quem preencha os espaços
entre a pressa e o vagar

partir
pintar o vazio
subtrair
ser a vida e o fio

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Fria fé

jaz na janela a cortina
dissimula a escuridão
(hoje foi um dia suave
agora só queria uma baça neblina)
e a tua mão
nada que a fé lave
trará tamanha memória
alegria, paixão e glória

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Tudo é feito de compartimentos. Maiores, menores, iguais. Prioridades, estigmas negativos – redundante!
O que importa é o que não tem importância, que não acrescenta valor. Esquecer o prazer e o prazo. Depois é tarde para apreciar o entardecer, aprender, saber fazer o nó, só por ver fazer.
Tirar partido duma coisa inteira e deixá-la sem partilha, à nossa imagem.
Os outros somos nós, abdicando da nossa imagem no espelho. E assim vale o momento, a cada momento único. Que não se repete. Que não tem eco… Apenas aura.
A variável é mais que uma linha e um ponto de breve interrogação.

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Ad eter num

e amanhã é outro dia
de poesia
de rasgar as páginas dum caderno
onde jaz um sonho eterno
de guardar
e não mostrar
o pensamento volátil
a razão inútil
de ser escorpião do deserto
um poço nunca aberto
onde só há água
e mágoa
poente frustração
de viver cada fracção
como se fosse passado
sem erro calculado
um pequeno mundo
a cada segundo
egoísta
lua sem terra à vista

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Março menor

nas mãos frias da fé
aconchega-se a prece
e a face envelhece
pé ante pé
o fim se desbota
germina a bolota
até
um dia de outro mês
conhece bem esse talvez

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quando erro
o vento sopra mais forte
do leste ou do norte
indiferente à pouca sorte
mas aprendo
e não entendo
quem queira ser não sendo
silêncio com capa de berro

e grito sem voz
e faço do laço um abraço
que é uma leve imagem de nós

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Cântaro

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(…)
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a

liberdade,

Dêem-ma no púcaro velho de ao pé

do pote

Da casa do campo da minha velha

infância…

Eu bebia e ele chiava,

Eu era fresco e ele era fresco,

E como eu não tinha nada que me

ralasse, era livre.

Que é do púcaro e da inocência?

Que é de quem eu deveria ter

sido?

E salvo este desejo de liberdade e

de bem e de ar, que é de mim?

Álvaro de Campos, in “Poemas

(Inéditos)”

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