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Archive for Julho, 2015

não há espaço
onde conter juízos determinados
piões sem corda
faz-se silêncio na horda
choram os soldados
não há braços para o abraço
ninguém diz que é feliz
se a rotina é uma cortina

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A poesia não se entrega a quem a define.”
Mário Quintana

 

se te debates com a multidão

essa que vive à sombra do presente

da responsabilidade ausente

(que importa o não?)

esse frágil momento de luxúria

perdido na luz efémera duma estrela cadente

ou num qualquer eco colorido e quente

lágrimas de frustração e fúria

falha a razão

amanhã se verá

o âmago da questão

ou de tanta vaidade que em ti não há

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Ganges Boatman Image, India.

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I saw the crescent

http://apod.nasa.gov/apod/ap150720.html via #NASA_APP

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o fácil é tentação
o difícil é tentativa
nem sim nem não
mergulhar e sorrir à deriva
mestre sem arte
triunfo sem trunfo
de tanto uma parte

a minha casa é uma caverna fria
sombria
ouço o sossego
agarro o silêncio sem apego
e nessa cinzenta nudez
vinga a cada noite a mudez

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Dia de ir e voltar

a atitude mortiça
um dia tem retorno
maldita preguiça
num fim de tarde morno
já é tempo da fresca brisa
de mudar de camisa
ver as estrelas
ouvir o piar da coruja
se não quiseres vê-las
terás sempre a vida suja
e nem a virtude precisa
deve ser uma fé tão lisa

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Contraste

Encontro-me com as nuvens na noite estrelada

Como que sentindo uma rigidez flácida

Por breves instantes uma sombra iluminada

Em passo rápido por uma estrada plácida

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Diria bastante o silêncio

Como uma trovoada seca distante

Um cometa pequeno

Viajando no ócio

Uma réstia seca de frio cortante

Um fechar de olhos, lento e sereno

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Não é aquilo que era

Não tem algo que tinha

Uma onda que pela morte não espera

Cresce no mar alto e navega sozinha

E toda a energia que gera

Dá-me a paz que queria minha

Numa noite de Primavera

Num amanhecer que se avizinha

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MINOLTA DIGITAL CAMERA

nessa gasta perspectiva

 

entre  as linhas que voam no escuro

sorriem anjos e desventuras

todas essas que aturas

esquecendo para sempre o futuro

não é a idade que pesa

é a indiferença que lesa

esse murmúrio melodioso e odiado

que o vento dá sem destino

mas onde há corda, há sino

sina escondida neste brado

a valentia menor dá asas à frustração

diligência maior da imaginação

¨¨¨

a vontade é pouca

e pouco diz

a voz rouca

que ninguém quis

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Sombras e base

quase como peixe
preciso de engodo
mas há quem o deixe
na areia e no lodo

dizem que as lágrimas
têm sal
e lavam a alma
choro
sobre o que da vida não sei
neste ocaso opaco

não deixarei o passado
para trás
esse fiel escudeiro desalinhado
é tudo o que aqui me traz

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F1000029

 

ser vazio

cão vadio

na sombra do estio

onde estão as dúvidas

e morrem as dívidas

cremam-se as vidas

na mistura

no mistério

riscar o que para sempre perdura

no que falta dizer no epitáfio no teu cemitério

 

 

¨

preencher linhas

entrelinhas

baldes de massa

coisas que ninguém faça

¨

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

contar até cem

sem

respirar

ar

ainda assim viver sem amanhã

gritar de manhã

se me disseres que sou apenas mais um

ou nenhum

serei sempre a desilusão com que ninguém conta

o fio da navalha que fere até à ponta

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