Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Novembro, 2015

80

Sentado no mocho

na construção da mentira

na elevação da verdade

a conclusão que se tira

é a regressão da saudade

do fim

da quebra

num banco de jardim

sem sombra

¨¨¨¨¨¨

ah, se o dia fosse sempre o mesmo traço

uma linha direita, lúcida e quente

ah, se a noite tivesse a força de um abraço

uma tensão controlada, previsível e consciente

mas quando o fogo se apaga

afia-se a lâmina da adaga

e combatem-se todos os demónios adormecidos

todos sentidos

na bruma

no nevoeiro

vida só há uma

há que descobri-la primeiro

View original post

Read Full Post »

80

na construção da mentira

na elevação da verdade

a conclusão que se tira

é a regressão da saudade

do fim

da quebra

num banco de jardim

sem sombra

¨¨¨¨¨¨

ah, se o dia fosse sempre o mesmo traço

uma linha direita, lúcida e quente

ah, se a noite tivesse a força de um abraço

uma tensão controlada, previsível e consciente

mas quando o fogo se apaga

afia-se a lâmina da adaga

e combatem-se todos os demónios adormecidos

todos sentidos

na bruma

no nevoeiro

vida só há uma

há que descobri-la primeiro

Read Full Post »

os números rodopiam

as palavras dançam sem ordem

uma desordem infinita

até que o finito seja um epitáfio

demasiado sombrio e desconexo

nesses momentos sem amplexo

de orações no cenotáfio

toda a fé é maldita

nem que os anjos acordem

quando as cordas se desfiam

¨

aqui não há tesouros

nem frescos bebedouros

só equações diferenciais

linhas rectas e diagonais

¨¨

nesta matemática impura

as leis supõem o erro

um resto que perdura

um declínio sem aterro

uma existência sem cura

¨¨¨¨

extenso sem letras nem lágrimas

porque só o fim é linear

entendo as breves máximas

que ficam sempre a pairar

como plumas ao vento

como soma do pensamento

desses momentos sem lástimas

¨¨¨¨¨¨

o método que causa a distância

a certeza que baixa os olhos

a esperança que cega a afirmação

o múltiplo que volta para trás

tudo numa só instância

de flores aos molhos

murchas pela negação

vencer sem trunfo nem ás

e do lilás se faz tinto

e é nada o que sinto

pois já findou o dia e a devolução do eco

tira-se a roupa e a máscara do boneco

I’ve got a little black book with my poems in
I’ve got a bag with a toothbrush and a comb in
When I’m a good dog they sometimes throw me a bone in
I got elastic bands keeping my shoes on
Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the TV to choose from
I’ve got electric light
And I’ve got second sight
I’ve got amazing powers of observation
And that is how I know
When I try to get through
On the telephone to you
There’ll be nobody home

from The Wall – Pink Floyd

Read Full Post »

fechar as asas

essa virtude aprendida sem receio

fugir do meio

do ninho cheio

do amor sem brasas

___

essas nuvens de empatia

tecto de tanta alegria

talvez sejam, um dia

horas amargas de paixão

penas caídas no chão

Read Full Post »

Grão de areia molhada

encontrar a palavra certa

a praia deserta

ver o sol partir

fechar os olhos e ir

no murmúrio da noite escura

e dissolvida a amargura

desses desconhecidos interesses

Read Full Post »

as pedras e os pássaros

sem demora

a tranquilidade dum dia cinzento

perdeu tempo e alegria

voou pela janela fora

ficou a dúvida e o desalento

as pedras que eu não queria

os livros, as histórias, as páginas submersas

as razões inválidas, as causas dispersas

tanta nudez

vê outra vez

Read Full Post »

vapor

vou correr pela pradaria

suar a minha agonia

beber e saciar o momento

secar o pensamento

que me leva os sonhos na corrente

até à foz do presente

Read Full Post »

Older Posts »