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Archive for Dezembro, 2015

Alice

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

 

Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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Filho ou gente

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guardei as palavras num

frasco de vidro escuro sem

tampa

saiam quando quiserem ou a lua

cheia

vos ilumine a cada dia que venha

onde o sol nasça e seja um arco

íris dos teus olhos inexpressivos e

tão belos como

uma foto sem filtro

um desejo instantâneo que se

limpa da memória

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

no dia em que souber dizer um poema

como se fosse o último raiar

a última lágrima desse olhar

um sopro sem suspirar

cultivarei na terra arada o último dilema

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Um

E já vão mais dois anos!

Sentado no mocho

tento não ser tanto
o que não posso ser
nem falsa face de espanto
ou linha morta do haver
um dia serei apenas pó
ou cinza no mar
hoje sou só
a pedra fora do lugar

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F1000025

o que sonho em pé ou sentado

no arco-íris de Outono

morre quando alguém o leva para outro lado

fica a dor e o abandono

os anos passam

a madeira apodrece

os olhos já não dançam

no descanso dessa prece

¨¨¨¨

ah, o encanto de outras eras perdidas

de outras vidas

desse longe que está tão perto

de peito aberto

nesse olhar triste que olha para o lado

frio e deitado

sem pressa, outro fim começa

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nesse canto onde se acumula a esperança

há um raio de sol pela manhã

nestas manhãs de Outono infinitas

é como o pó que nunca se limpa

fica à espera

pode ser que um dia venha o fim

finalmente ser livre de atenções e minúcias

e aí onde nem o sol alcança

escrevem-se palavras primárias e malditas

na pedra fria onde o esquecimento impera

conspiram, sussurrando, as odiadas súcias

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Souvenir

MINOLTA DIGITAL CAMERA

Chama viva para outra esperança

cura

essa dor colorida

pinta de preto e branco o vento

tenta o momento

do raio de sol na despedida

onde a breve vaga perdura

embrulha os pesadelos do dia

ontem ninguém sabia

que o sangue dormia

na cama de palha

pois o coração dorme onde calha

e bebe o tinto da talha

nesta vida azeda e vaga

onde há mel e há abelhas

tantos querem que traga

os olhos como centelhas

é um repente que as apaga

na sombra das sobrancelhas

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Chão

ilumina

e serás eterna

pisa

e terás perdão

nesse chão

que numa noite sem lanterna

é a tua janela sem cortina

o desejo que ninguém precisa

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