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Archive for Maio, 2016

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Photo via Visualhunt.com

 

caminhos

por onde passam os ventos e os sorrisos

os passos são fios de linho

que tecem o que é preciso

depois há o eco suave do trovão

o repetido não!

a protecção da piedade

a justiça da verdade

de ficar e nada ser

apenas agarrar a mão estendida

ocultar as feridas

de todos os poemas que leres

nesse labirinto de sonhos e flores

há medos de todas as cores

 

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Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.
Todo o esforço é um crime porque todo o gesto é um sonho inerte.
As tuas mãos são rolas presas.
Os teus lábios são rolas mudas.
(que aos meus olhos vêm arrulhar)
Todos os teus gestos são aves. És andorinha no abaixares-te, condor no olhares-me, águia nos teus êxtases de orgulhosa indiferente.
E toda ranger de asas, como dos (…), a lagoa de eu te ver. Tu és toda alada, toda (…)
Chove, chove, chove…
Chove constantemente, gemedoramente (…)
Meu corpo treme-me a alma de frio… Não um frio que há no espaço, mas um frio que há em vir a chuva…
Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.

 

 

Livro do Desassossego. Vol.I. Fernando Pessoa. (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Coimbra: Presença, 1990.

– 128.

“Fase decadentista”, segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol I. Fernando Pessoa. Mem Martins: Europa-América, 1986

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falta-me o excesso, a amarga loucura, mesmo que a tentativa perdure.

a pedra e a água que a fure.

um dia não serão sete e talvez deserte!

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different sun

one day, another day, I bid you farewell!

night, another night, gone to hell

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Photo credit: Wind&Wuthering via Visualhunt.com / CC BY

o meu mundo é satélite
a palavra monólogo
– saciado o apetite,
extinguido o fogo
fica a amargura
do fumo que perdura

ser menos que demais
ler pouco, mas do muito
(por tudo paixão tépida)
sempre barco no cais.
tudo sai por intuito
atrás das cortinas da vida

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Veritas

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não encontres o espaço onde voam as utopias

encontra o vazio

as manhãs frias

sê o rio

a corrente contrária a tanta lágrima

a alegria demasiada da madrugada

a sombra esquecida numa esquina da vida

a profundidade superficial

o açucar e o sal

habitei nessa tenda à beira-mar

onde a maré calma beijava a areia

ignorando o que era ser e estar

do outro lado da lua-cheia

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Sentado no mocho

Augusto [minha foto de outrora] The heart asks pleasure first,
And then, excuse from pain;
And then, those little anodynes
That deaden suffering;

And then, to go to sleep
And then, if it should be
The will of its Inquisitor,
The liberty to die.

[Emily Dickinson]

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