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Archive for Julho, 2016

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idos todos os beijos

conquistadas as sombras

e as penumbras

perdidas todas as lágrimas que te lembras

resta o descanso breve

o vinho leve

e todos os outros desejos

inertes e sombrios

luminosos e frios

soma de tantos restos

silêncio de outros gestos

o ponto de partida nunca parte

as palavras não se guardam

não se dizem

não doem

o que conta é o número

efémero

finito ou infinito

não há zero nem nada

cicatriz marcada

em pedra de granito

é lá que todas as melodias ecoam

e a coragem sangra a sua dor

ao sol-pôr

conhecido de tantos dias iguais

banais

indeléveis

solúveis

numa maré constante

sem instante

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neste dia

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Photo credit: HerLanieShip via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

estes dias estão a acabar

para voltarem amanhã – ou depois

retratos de ser – ou estar

e em cada nova há sempre dois

¨

sentes a prisão a cada rotina

és menor que a sede eterna

cada frase tecida em surdina

ecoa nesta caverna

¨

mas para aumentar o contraste

apagas lentamente a memória

e pela sombra deixaste

sete linhas da tua história

¨

onde não há asas para voar

libertas as tuas presas

em cada abraço deixas ficar

as tuas derrotas e certezas

¨

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Photo via Visual Hunt

do outro lado apenas silêncio e emoção

aquilo que é o lema e a paixão

cá deste

nada mais que um vazio abissal

um mar sem sal

sempre neste

fugir do vento e das borboletas

encher de vazio as gavetas

(…)

podia acabar a noite e o abraço

podia vir também a raiva contida

o tremer das pernas a cada passo

só depois se saberia a razão de nada haver nesta vida

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Isso

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Photo credit: Vincepal via Visual Hunt / CC BY

embriago-me no silêncio da escuridão

e sinto a tua mão

o livro fechado que abriste

será apenas isso

um amarrotado esquisso

uma emoção que já não existe

procuro as palavras ocultas que me disseste

e a melodia suave no vento leste

e todo o amor que nunca pediste

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Película

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Janela de verão

e nessa janela fechada

que o vento beija e chora

o que se perde é quase nada

o que se ganha é sempre agora

a tristeza fica no chão

nas rugas da tua mão

está vazia a cadeira

mas cheia à sua maneira

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Impedância

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Photo via VisualHunt

lembro-me de ti

quando parti

para sentir o aroma do fim da tarde

do sentimento que arde

esse vento leve e breve

que transporta a paixão morta

(…)

perdi umas moedas e o momento

flutuei na água

no luar cinzento

na mágoa

lembro-me de ti e de nós

e agora que estamos sós

não consigo saber se as estrelas dançam

ou as palavras já cansam

¨¨¨¨¨¨

ser, saber e sonhar

essa trindade simples e que desconheço

essa aurora onde desapareço

é a forma errada de não te amar

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