Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Fevereiro, 2017

Ch.

Sentado no mocho

está tudo escrito acerca da capacidade intrínseca de esquecer o mais e verter a lágrima.

se aperta, respira.

View original post

Read Full Post »

esquecimento

6948969177_72275af5fb_o

Photo credit: Rainshift – http://www.rainshift.com via Visual hunt / CC BY

o nosso mundo

é um segundo

de cada vez

– só tu o vês

e inundas –

das coisas mais profundas

como perder e seguir

como chorar e sorrir

e amanhã é outro dia

uma sala vazia

que preenches com uma dança

e um sonho que ninguém alcança

Read Full Post »

Companha

lantern-old-light-evening-twilight

Photo via Visualhunt.com

queria

ser a luz do dia

o crepúsculo da tarde

a paz da tempestade

todas essas coisas que todos guardam

numa gaveta cheia

num grão de areia

e esquecem a revolta contida

beijam a ferida

que os sonhos saram

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

ao longe tudo parece menos

acordes serenos

da música habitual

que ouves quando há nostalgia

ou se não houver poesia

nos livros que não escreveste

nas entrelinhas que não leste

nessa rotina sem ritual

>

a noite acompanha-me em silêncio

numa brisa cinza

num manto de encanto

mergulho em mais um início

de dias crescentes

e paixões ausentes

Read Full Post »

Deixa

road-straight-future-way-forest-sad-lonely

Photo via VisualHunt.com

 

se o futuro

é um caminho escuro

e o momento

é um tormento

sê o que sempre serei

a aurora sem rompante

a espada sem cavaleiro andante

as lágrimas que nunca chorei

deixa-me seguir o caminho

sozinho

ninguém aguenta

esta tormenta

de ser, viver e morrer

 

Posted from WordPress for Android

Read Full Post »

da noite e da quimera

Sentado no mocho

Dreams

nesta casa

de branco caiada

nunca entrei

mas fui eu que a caiei

no fresco da alvorada

onde o sol sempre se atrasa

neste campo de rosmaninho

de intenso aroma

e de abelhas sem fim

fiz um banco de jardim

deixei a noite numa redoma

e o vento no moinho

Θ

tanto sonho

de sombras pintado

de dor curvado

onde os olhos ponho

já depois de acordar

o dito ganha o infinito

para noutra noite voltar

View original post

Read Full Post »

Sou isso, enfim

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

Ou metade desse intervalo, porque também há vida…

Sou isso, enfim…

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

– 124.

Read Full Post »

Pavio

candle-smoke-fire-flame-candlelight-extinguish

Photo via VisualHunt.com

 

És uma candeia ao canto do quarto
Às vezes longe, às vezes perto.
Trazes o brilho e a coragem,
Demonstras a fé nesta viagem…

– E eu estou aqui deitado,
Às vezes ao frio, às vezes tapado
(cresce em mim a tempestade)
– Aqueço assim a saudade.

E no frio desta caverna
Húmida e teimosamente eterna,
Pingo a pingo, hoje, amanhã e depois,
Lembro as vidas que não tivemos os dois.
Apenas este pavio
Veio acalmar este frio
Nas mãos, na mente e na alma.
Uma voz suave que acalma…

Cêra.
Quimera.
Sonho.
Coração tamanho.

Read Full Post »