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Archive for the ‘Amigos’ Category

máscara

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não, não há em mim mudança

nem riso nem lágrima, apenas eu

que espera e alcança

que guarda o sol no silencioso breu

#

não entendo nem pretendo

escuto mas nem sempre ouço

as palavras e os ritmos em crescendo

já não chego à água do fundo do poço

#

deixem-me lá ser o que sou

é tarde para ser diferente

gosto da quietude onde estou

de ser cometa ausente

#

já perdi o método e a obsessão

ganhei pouco para além do sorriso

mas se um dia me ouvirem dizer: não!

talvez aí já não seja preciso

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passagem

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Photo credit: Community Photography ‘now & then’ via Visual hunt / CC BY-NC

a verdade absoluta das coisas

vem sempre na escuridão

nasce na aurora da paixão

nos sonhos onde sempre poisas

¨¨¨¨¨¨¨¨

disseste um dia

que o vento

era uma alma vazia

agora sou eu

sem talento

que esvazio esse breu

¨¨¨¨

sim, deixa-me dizer não

que não te estenda a mão

só, corda sem nó

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limitar

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Photo via Visual hunt

há sempre um limite

num longo ocaso

seja no fim ou no início

no silêncio dum precipício

numa resposta com atraso

que o esquecimento nunca hesite

numa redoma feita de espinhos

no que foi e nunca mais será

do que sobra do que ninguém terá

todos juntos e todos sozinhos

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Por tão pouco

 

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Photo via VisualHunt.com

não entrei na página incompleta

desse livro de capa nua

pois era tua

e lá não havia frases conhecidas

nem lágrimas perdidas

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

em mim não há meta

o limite nunca se conquista

num céu azul sempre à vista

a percepção não tem retorno

nem o sangue é morno

até ao fim

da minha vida sem mim *

*um filme de Isabel Coixet

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baraço

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Photo via Visualhunt

se fores capaz de ser

poesia tépida no chão da vida

não basta querer

só o descrente acredita

que um dia poderá ter

uma paz infinita

uma nuvem que faz chover

nos olhos da despedida

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

de que lado se entrega um abraço?

como se desfaz um nó de paz

nas duas pontas dum simples baraço?

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Alice

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

 

Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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Esse tempo de ficar

MINOLTA DIGITAL CAMERA

Light on the wall

 

ser o medo e o escuro

de toda a emoção, um sorriso a recordar

de dentro deste silêncio puro

vem o amanhã onde não se quer chegar

ficar aqui, neste lugar inculto

onde o diálogo é um vulto

rasga-se a fé numa prece exausta

outro dia virá com uma mesa fausta

¨¨¨¨

a lua guia uma alma a um lugar melhor

longe dessa luta inglória

fica a doce memória

duma aura intensa em seu redor

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