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Archive for the ‘Aniversário’ Category

curvas

sunset-over-city

Photo via Visualhunt

(quanto mais procuro as palavras, emoções soltas, menos elas surgem, ou não as encontro no turbilhão outonal; quase nada traz a lume novas ideias, novas conquistas, novos desejos, velhos sonhos – seja por vontade imaterial de perceber a vida de forma linear ou apenas por comodismo adquirido de tantos anos [como diria a professora primária]; não encontro dois sentidos numa palavra ou numa pessoa, sou unilateral, egoísta e ingénuo, reflexo positivo com carga negativa; nem sequer penso nos milhões de pessoas e gestos que há neste mundo desconhecido, apenas admiro a Via Láctea e o quarto minguante, onde deves estar à minha espera, com a curva da mão na curva do queixo, o olhar terno e o cabelo solto; para quê procurar a eternidade?)

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Augusta

Tu que me ensinaste tudo

Tu que me ensinaste nada

Deste-me um dia a madrugada

Tiraste a espada

Deste-me o escudo

Deste voz a quem era mudo

Hoje sou eu que te quero dar

Mas quase sempre te retiro

De ti apenas um suspiro

Porque a idade não te quer ajudar

És uma gruta onde se está bem

És um rochedo, és um segredo

Mas és apenas tu, minha mãe

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fico preso ao que prezo
tanta vez
mas gostava que o círculo se fechasse
mas ainda ninguém o fez
ser o beijo e a face
vejo
e aprendo
e não entendo
o contrário desse todo
mergulhar no lodo
lado a lado com o vício
nada tem um início

palavras soltas
silenciosas revoltas
na construção do dia seguinte
malvadez sem requinte
só quando a matriz partir
eu irei a seguir

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Extenso

Porque a minha vida tem números e dígitos:
¤
Três vezes trezentos e sessenta e cinco.
Podia equacionar outra hipótese, mas a soma seria sempre negativa.
Sempre dei multiplicação às prioridades e não é a matéria mínima que trará outro quociente.
As contas fazem-se no fim, da vida e da morte…….

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numa outra noite qualquer
haverá tranquilidade
se ainda houver
o beijo da saudade
e que tudo o mais se esqueça
tal e qual a velha paixão desigual
que o amargo coração mereça

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Contra dança

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ter tanto vento para voar
saber subir nessa corrente
ascendente
sentir o sol
soltar o nó do anzol
cá dentro são apenas laços
mas não há quem preencha os espaços
entre a pressa e o vagar

partir
pintar o vazio
subtrair
ser a vida e o fio

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51

ilumina os caminhos
e as páginas
dos cadernos em branco
acalma o ruído e a surdina
dos dias que imaginas
eternos
senta-te neste banco
e diz-me o sabor da vitória
e nunca o fim da história

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Deveras

sinto. não há hoje um fim
nem abraço
nem poema
só um banco de jardim
uma página sem traço
de nostalgia. dilema
       vou plantar a utopia
       imagina!
       não há em lado algum
não escrevo
não tenho sentido
do honrar devido
só pago o que devo

sinto. que hoje, afinal
o bolo tinha bolor
e a poesia, final…

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Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill

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Chuvas

Poema
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-Io passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

António José Forte
Uma Faca nos Dentes
Prefácio de Herberto Helder
Parceria A.M. Pereira
Livraria Editora, Lda.

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