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Archive for the ‘Cavernas’ Category

sem título, sem capítulo

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Photo credit: MaryScheirer via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

tudo o que sei doar

tudo o que faz doer

rompe a ilusão dada

é a fusão

seria a estrada

perdi o rumo e a razão

resta o vento, a lágrima e a saudade

desta incerteza de chegar tarde

 

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3AM

Photo credit: Jacksoncam via Visualhunt / CC BY

muda e sê

amanhã é tarde para ser

o que ninguém vê

tudo é rápido

tépido

depressa demais para perceber

se a luz te engana

e te expões ao aroma das rosas

que sempre emana

e se perde no vento frio

ou no fundo de um rio

de margens silenciosas

e quando adormeces e sonhas e choras

nos recantos onde te demoras

continua a ser cedo

para ter medo

de perder, partir, ser, existir

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Pavio

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Photo via VisualHunt.com

 

És uma candeia ao canto do quarto
Às vezes longe, às vezes perto.
Trazes o brilho e a coragem,
Demonstras a fé nesta viagem…

– E eu estou aqui deitado,
Às vezes ao frio, às vezes tapado
(cresce em mim a tempestade)
– Aqueço assim a saudade.

E no frio desta caverna
Húmida e teimosamente eterna,
Pingo a pingo, hoje, amanhã e depois,
Lembro as vidas que não tivemos os dois.
Apenas este pavio
Veio acalmar este frio
Nas mãos, na mente e na alma.
Uma voz suave que acalma…

Cêra.
Quimera.
Sonho.
Coração tamanho.

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curvas

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Photo via Visualhunt

(quanto mais procuro as palavras, emoções soltas, menos elas surgem, ou não as encontro no turbilhão outonal; quase nada traz a lume novas ideias, novas conquistas, novos desejos, velhos sonhos – seja por vontade imaterial de perceber a vida de forma linear ou apenas por comodismo adquirido de tantos anos [como diria a professora primária]; não encontro dois sentidos numa palavra ou numa pessoa, sou unilateral, egoísta e ingénuo, reflexo positivo com carga negativa; nem sequer penso nos milhões de pessoas e gestos que há neste mundo desconhecido, apenas admiro a Via Láctea e o quarto minguante, onde deves estar à minha espera, com a curva da mão na curva do queixo, o olhar terno e o cabelo solto; para quê procurar a eternidade?)

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30

idos todos os beijos

conquistadas as sombras

e as penumbras

perdidas todas as lágrimas que te lembras

resta o descanso breve

o vinho leve

e todos os outros desejos

inertes e sombrios

luminosos e frios

soma de tantos restos

silêncio de outros gestos

o ponto de partida nunca parte

as palavras não se guardam

não se dizem

não doem

o que conta é o número

efémero

finito ou infinito

não há zero nem nada

cicatriz marcada

em pedra de granito

é lá que todas as melodias ecoam

e a coragem sangra a sua dor

ao sol-pôr

conhecido de tantos dias iguais

banais

indeléveis

solúveis

numa maré constante

sem instante

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Photo via Visual Hunt

do outro lado apenas silêncio e emoção

aquilo que é o lema e a paixão

cá deste

nada mais que um vazio abissal

um mar sem sal

sempre neste

fugir do vento e das borboletas

encher de vazio as gavetas

(…)

podia acabar a noite e o abraço

podia vir também a raiva contida

o tremer das pernas a cada passo

só depois se saberia a razão de nada haver nesta vida

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Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.
Todo o esforço é um crime porque todo o gesto é um sonho inerte.
As tuas mãos são rolas presas.
Os teus lábios são rolas mudas.
(que aos meus olhos vêm arrulhar)
Todos os teus gestos são aves. És andorinha no abaixares-te, condor no olhares-me, águia nos teus êxtases de orgulhosa indiferente.
E toda ranger de asas, como dos (…), a lagoa de eu te ver. Tu és toda alada, toda (…)
Chove, chove, chove…
Chove constantemente, gemedoramente (…)
Meu corpo treme-me a alma de frio… Não um frio que há no espaço, mas um frio que há em vir a chuva…
Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.

 

 

Livro do Desassossego. Vol.I. Fernando Pessoa. (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Coimbra: Presença, 1990.

– 128.

“Fase decadentista”, segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol I. Fernando Pessoa. Mem Martins: Europa-América, 1986

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