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Archive for the ‘Poesia’ Category

pegada

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Photo via Visual Hunt

perdoa se conseguires ir além

do que é conforto

navega fora do porto

não há abrigo para lá dos passos que dás

se fores capaz

de ser ninguém

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sem título, sem capítulo

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Photo credit: MaryScheirer via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

tudo o que sei doar

tudo o que faz doer

rompe a ilusão dada

é a fusão

seria a estrada

perdi o rumo e a razão

resta o vento, a lágrima e a saudade

desta incerteza de chegar tarde

 

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wilt

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Photo credit: San Diego Shooter via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND

queria dizer tanto

como se amanhã não existisse nada

queria tanto que não consigo

seguir ao sabor do vento

nada há, cá dentro

que te traga

que me ensine o insondável

aqui sentado na memória, no eclipse invisível

desta fria mão fechada

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Photo via Visual Hunt

 

não há árvore

onde a sombra sempre dure

nem noite inteira que se divida

jamais haverá uma palavra certa

na areia duma praia deserta

guardar cá dentro as lágrimas da despedida

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3AM

Photo credit: Jacksoncam via Visualhunt / CC BY

muda e sê

amanhã é tarde para ser

o que ninguém vê

tudo é rápido

tépido

depressa demais para perceber

se a luz te engana

e te expões ao aroma das rosas

que sempre emana

e se perde no vento frio

ou no fundo de um rio

de margens silenciosas

e quando adormeces e sonhas e choras

nos recantos onde te demoras

continua a ser cedo

para ter medo

de perder, partir, ser, existir

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máscara

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não, não há em mim mudança

nem riso nem lágrima, apenas eu

que espera e alcança

que guarda o sol no silencioso breu

#

não entendo nem pretendo

escuto mas nem sempre ouço

as palavras e os ritmos em crescendo

já não chego à água do fundo do poço

#

deixem-me lá ser o que sou

é tarde para ser diferente

gosto da quietude onde estou

de ser cometa ausente

#

já perdi o método e a obsessão

ganhei pouco para além do sorriso

mas se um dia me ouvirem dizer: não!

talvez aí já não seja preciso

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passagem

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Photo credit: Community Photography ‘now & then’ via Visual hunt / CC BY-NC

a verdade absoluta das coisas

vem sempre na escuridão

nasce na aurora da paixão

nos sonhos onde sempre poisas

¨¨¨¨¨¨¨¨

disseste um dia

que o vento

era uma alma vazia

agora sou eu

sem talento

que esvazio esse breu

¨¨¨¨

sim, deixa-me dizer não

que não te estenda a mão

só, corda sem nó

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