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Archive for the ‘Saudade’ Category

 

sê a tristeza nos canaviais

a beleza no jamais

desiste sempre que a luz brilha

insiste no que ninguém perfilha

caminha e lembra o começo

desde agora até ao berço

(…)

acorda quando o sonho se dilui

adormece quando a saudade flui

sinto a tua mão quando digo não!

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armas e outras linhas

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Photo on VisualHunt

todos os dias

as horas passam

o tempo passa

numa exposição lenta

como linhas numa sebenta

e nesta alegria escassa

os anjos dançam

as minhas silenciosas melodias

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blu(e)red

Photo on VisualHunt

a cada dia venço uma etapa

nesta capa

de livro fechado

nesta dança sem movimento

nunca tento

saber o passo

 

a cada noite busco o sonho

e nunca ponho

um risco no passado

perdi o pouco que tive

fui embora onde nunca estive

já não há muro para tanto traço

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Photo by Tilman Haerdle on Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

porque foste e me deixaste

aqui sentado

a olhar o céu estrelado

ao ver a chuva cair

lembro-me desse sorrir

das palavras inéditas

que só tu sabias

e que as dizias

como se estivessem escritas

no livro que nunca leste

– e nesta fracção breve do que dou

terei sempre em mim a tua mão

o teu cabelo alvo

e em todos os sonhos que salvo

na noite sem escuridão

serei sempre mais daquilo que sou

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conjuntiva

Lack

Photo by that guy named Rob on Visual hunt / CC BY-NC-SA

 

se pudéssemos tomar posse

de nós mesmos

ir para lá do nascer do sol

indiferentes à matéria inerte da abastança

a condição primária da dança

da lágrima emocionada

na face da memória apagada

o silêncio duma lareira em cinzas

e de tantas outras coisas

que são de menos, negativas

poderíamos ser então os dedos entrelaçados

da mão

do não

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um poço vazio

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Photo by kenmainr on Visual hunt / CC BY-NC-SA

todos os dias

e noites sem fim

guardo as alegrias

que já houve em mim

escondo o medo numa gaveta cheia

já nada me rodeia

a linha do horizonte é vertical

as lágrimas já não têm sal

nem lenço

mas ainda penso

que estás à minha espera, numa qualquer Primavera

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leaf-grey-overcast-dead-autumn-cloudy-sky-gray

Photo via Visualhunt

o sal que se dissolve

na tua face

arrefece

mesmo depois de um beijo

ou dum abraço

não há espaço

nem ensejo

para entender o vazio que se move

na queda duma folha morta

que preenche a tua porta

e é tudo o que terás

quando o fim ficar para trás

 

 

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