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o sol sem eira

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Photo via Visualhunt.com

julguei um dia que o combate

era uma forma de arte

fui à luta e não morri…

mesmo perdendo sorri

pois só assim vês o que vale a pena

o momento exacto de sair de cena

nos bastidores respiras

e todas as máscaras tiras

até seres uma mão aberta

as entrelinhas dum poeta

feito de nostalgia e vento

diluído no firmamento

onde há estrelas e nebulosas

silêncio de tantas prosas!

¨¨¨¨¨¨

se um dia

podia

ser essa metade inteira

agora sou

o lugar onde não estou

o sol sem eira

Tu e as cores e agora

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Photo via Visual hunt

o passado

é um presente envenenado

o futuro

é um quarto escuro

 

solta os demónios e os sorrisos

 

de que serve a servidão da melancolia

ou a noite ser dia

de que vale a valência menor da indiferença

ou de quem por nós pensa

 

pensamentos utópicos e imprecisos

 

deixa que a tulipa floresça

que a cor que nunca aparenta apareça

e que a sólida solidão nunca te esqueça

 

In a cross grey road

Venus Setting

Photo credit: DeeAshley via Visualhunt.com / CC BY-NC

 

(…)

In you the wars and the flights accumulated.
From you the wings of the song birds rose.

You swallowed everything, like distance.
Like the sea, like time. In you everything sank!

(…)

The Song of Despair
Pablo Neruda

Ch.

Sentado no mocho

está tudo escrito acerca da capacidade intrínseca de esquecer o mais e verter a lágrima.

se aperta, respira.

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esquecimento

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Photo credit: Rainshift – http://www.rainshift.com via Visual hunt / CC BY

o nosso mundo

é um segundo

de cada vez

– só tu o vês

e inundas –

das coisas mais profundas

como perder e seguir

como chorar e sorrir

e amanhã é outro dia

uma sala vazia

que preenches com uma dança

e um sonho que ninguém alcança

Companha

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Photo via Visualhunt.com

queria

ser a luz do dia

o crepúsculo da tarde

a paz da tempestade

todas essas coisas que todos guardam

numa gaveta cheia

num grão de areia

e esquecem a revolta contida

beijam a ferida

que os sonhos saram

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

ao longe tudo parece menos

acordes serenos

da música habitual

que ouves quando há nostalgia

ou se não houver poesia

nos livros que não escreveste

nas entrelinhas que não leste

nessa rotina sem ritual

>

a noite acompanha-me em silêncio

numa brisa cinza

num manto de encanto

mergulho em mais um início

de dias crescentes

e paixões ausentes

Deixa

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Photo via VisualHunt.com

 

se o futuro

é um caminho escuro

e o momento

é um tormento

sê o que sempre serei

a aurora sem rompante

a espada sem cavaleiro andante

as lágrimas que nunca chorei

deixa-me seguir o caminho

sozinho

ninguém aguenta

esta tormenta

de ser, viver e morrer

 

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