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Posts Tagged ‘Aniversário’

 

sê a tristeza nos canaviais

a beleza no jamais

desiste sempre que a luz brilha

insiste no que ninguém perfilha

caminha e lembra o começo

desde agora até ao berço

(…)

acorda quando o sonho se dilui

adormece quando a saudade flui

sinto a tua mão quando digo não!

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ou como encontrar bolotas debaixo duma azinheira, num dia cheio de desilusão assimétrica…
Vale sempre a antítese duma equação sobre amizade…

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Cinza

de sempre navegar
num mar de utopias
o luar reflete à tona de água
onde arde, devagar
a cascata dos dias
dissolvendo a cinza da mágoa

fica tanto por dizer
a cada instante da maré
vazia…
morrer
de pé
a cada dia

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Dia a dia

Janela

Janela rente ao mar e rente ao tempo
— Ó mãos poisadas sobre um Junho antigo —
De ano em ano de hora em hora
Caminho para a frente e cega me persigo

Quem me consolará do meu corpo sepultado?

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
In Geografia, 1962

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agora

a noite é vaga

que a mão a traga

onde a memória não floresce

e a cortina se feche

agora

que há carreiro de formiga

a semente brava que o diga

quando o vento falha

e a sorte não calha

agora

acabou a luta

só há roupa enxuta

aroma e poema

dúvida e dilema

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Vamos

Dead leaf

Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
– Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama (10/04/1924 – 07/02/1952

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Finito

tentei e não consegui mais que um olhar
um sorriso forçado
nada que pudesse deixar
o desejo sublimado
assim
se planeia um fim
na sombra de um jardim
terreno fértil
palavra inútil
lágrima fútil

   será uma ponte
   uma árvore sem folhas
   um copo com água da fonte
   ou apenas um caminho que escolhas

há tempo demais partiste
a noite fechou-se
a dor perdeu-se
e infinito já não existe

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Noise

squared

no silêncio não há cores

nem no recife de coral

a rotina é uma maré

às vezes viva, outras quase morta

tudo o que se deseja é o bater da porta

gritar e ficar de pé

incondicional

numa campa sem flores

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Void

tentar nem sempre custa

mesmo quando o vazio rompe o peito

tudo lá ao longe parece demasiado perto

saído da bruma lunar

ficar parado na aurora triste e luminosa

se houver condição de ser assim

ausência de emoção

garra de esquecer

seja lá o que o destino for ou invente

deixei de ser crente

de ser

uma parte de mim envolta em desilusão

lutando cá dentro por um velho motim

afiando a lâmina desta espada generosa

e ficar

pensando nas letras pequenas deste livro aberto

caminhando ao longo deste caminho estreito

rezando na sombra desta vida injusta

ð

(quanto mais procuro as palavras, emoções soltas, menos elas surgem, ou não as encontro no turbilhão outonal; quase nada traz a lume novas ideias, novas conquistas, novos desejos, velhos sonhos – seja por vontade imaterial de perceber a vida de forma linear ou apenas por comodismo adquirido de tantos anos [como diria a professora primária]; não encontro dois sentidos numa palavra ou numa pessoa, sou unilateral, egoísta e ingénuo, reflexo positivo com carga negativa; nem sequer penso nos milhões de pessoas e gestos que há neste mundo desconhecido, apenas admiro a Via Láctea e o quarto minguante, onde deves estar à minha espera, com a curva da mão na curva do queixo, o olhar terno e o cabelo solto; para quê procurar a eternidade?)

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Vento doce

neste outro e único mundo

onde ninguém entra nem sai

talvez por ser fundo

ou apenas aresta suave

reflexo intenso de um olhar grave

onde o abraço é chuva que cai

entrando e entendendo

escutando o vento doce

lendo as nuvens e as vagas

sofrer sem ser sofrendo

possuir sem ter a posse

sangrar e não ter chagas

depois sair sem pressa

dizer que a vontade é essa

a de entrar e sair com vontade

e segurar com força a saudade

não falta a empatia

sobra o método

nem sempre da ironia

se faz o todo

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