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traço contínuo

Vias e veias

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nas veias correm o sangue e o vento

tudo é desordem

cá dentro

não há estrada sombria

onde passes e sonhes

no momento da partida e da mudança fria

nas pegadas que deixes

ao sabor da chuva

na curva cega

na folha que cai para sempre

todos os dias

para que lembre

de que nada serve a si

pois ninguém perdeu o que já perdi

e as lágrimas vazias

são o eco e a contrição

da prece que sempre se esquece

na areia quente da tua mão

nas ondas calmas onde o passado navega!

 

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quando lavras as palavras

e colhes o que não escolhes

que seja o que se deseja

se tiver que ser ao entardecer

e que o vento norte não te traga nem a morte nem a sorte

pois onde houve depois

esta é o que resta

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Then the sudden smell of burning flesh

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acentos reflexos

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por mais que seja a saudade

essa visão que atravessa o espaço

dirá sempre palavras menores

pois nunca a verdade

se desfaz como um laço

num arco-íris sem cores

e é ser maior que o pó

ter tudo e ser apenas só

o fim secreto num banco de jardim deserto

 

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beach-sunrise-ocean

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na escuridão onde nada há

tudo se conquista

mesmo que a vontade que dista

entre o medo e a revolta

não seja senão a escolta

que guarda as palavras finais

como quem espera no cais

o nascer do sol de todos os dias

que era quando esquecias

a distância de um até já!

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o dia a mais

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já há flores amarelas

(mais que ontem)

menos cortinas nas janelas

por mais que as contem

nunca serão linhas de poesia

nem manhãs de maresia

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máscara

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não, não há em mim mudança

nem riso nem lágrima, apenas eu

que espera e alcança

que guarda o sol no silencioso breu

#

não entendo nem pretendo

escuto mas nem sempre ouço

as palavras e os ritmos em crescendo

já não chego à água do fundo do poço

#

deixem-me lá ser o que sou

é tarde para ser diferente

gosto da quietude onde estou

de ser cometa ausente

#

já perdi o método e a obsessão

ganhei pouco para além do sorriso

mas se um dia me ouvirem dizer: não!

talvez aí já não seja preciso

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