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máscara

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não, não há em mim mudança

nem riso nem lágrima, apenas eu

que espera e alcança

que guarda o sol no silencioso breu

#

não entendo nem pretendo

escuto mas nem sempre ouço

as palavras e os ritmos em crescendo

já não chego à água do fundo do poço

#

deixem-me lá ser o que sou

é tarde para ser diferente

gosto da quietude onde estou

de ser cometa ausente

#

já perdi o método e a obsessão

ganhei pouco para além do sorriso

mas se um dia me ouvirem dizer: não!

talvez aí já não seja preciso

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limitar

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Photo via Visual hunt

há sempre um limite

num longo ocaso

seja no fim ou no início

no silêncio dum precipício

numa resposta com atraso

que o esquecimento nunca hesite

numa redoma feita de espinhos

no que foi e nunca mais será

do que sobra do que ninguém terá

todos juntos e todos sozinhos

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Sou isso, enfim

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

Ou metade desse intervalo, porque também há vida…

Sou isso, enfim…

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

– 124.

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Pavio

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Photo via VisualHunt.com

 

És uma candeia ao canto do quarto
Às vezes longe, às vezes perto.
Trazes o brilho e a coragem,
Demonstras a fé nesta viagem…

– E eu estou aqui deitado,
Às vezes ao frio, às vezes tapado
(cresce em mim a tempestade)
– Aqueço assim a saudade.

E no frio desta caverna
Húmida e teimosamente eterna,
Pingo a pingo, hoje, amanhã e depois,
Lembro as vidas que não tivemos os dois.
Apenas este pavio
Veio acalmar este frio
Nas mãos, na mente e na alma.
Uma voz suave que acalma…

Cêra.
Quimera.
Sonho.
Coração tamanho.

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30

idos todos os beijos

conquistadas as sombras

e as penumbras

perdidas todas as lágrimas que te lembras

resta o descanso breve

o vinho leve

e todos os outros desejos

inertes e sombrios

luminosos e frios

soma de tantos restos

silêncio de outros gestos

o ponto de partida nunca parte

as palavras não se guardam

não se dizem

não doem

o que conta é o número

efémero

finito ou infinito

não há zero nem nada

cicatriz marcada

em pedra de granito

é lá que todas as melodias ecoam

e a coragem sangra a sua dor

ao sol-pôr

conhecido de tantos dias iguais

banais

indeléveis

solúveis

numa maré constante

sem instante

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neste dia

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Photo credit: HerLanieShip via Visual Hunt / CC BY-NC-ND

estes dias estão a acabar

para voltarem amanhã – ou depois

retratos de ser – ou estar

e em cada nova há sempre dois

¨

sentes a prisão a cada rotina

és menor que a sede eterna

cada frase tecida em surdina

ecoa nesta caverna

¨

mas para aumentar o contraste

apagas lentamente a memória

e pela sombra deixaste

sete linhas da tua história

¨

onde não há asas para voar

libertas as tuas presas

em cada abraço deixas ficar

as tuas derrotas e certezas

¨

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Photo via Visual Hunt

do outro lado apenas silêncio e emoção

aquilo que é o lema e a paixão

cá deste

nada mais que um vazio abissal

um mar sem sal

sempre neste

fugir do vento e das borboletas

encher de vazio as gavetas

(…)

podia acabar a noite e o abraço

podia vir também a raiva contida

o tremer das pernas a cada passo

só depois se saberia a razão de nada haver nesta vida

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