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Posts Tagged ‘Inverno’

Telhas

Gota

tantos punhais

que tombam ao vento

nos quintais

ao relento

onde não há nada que traga o futuro

ou até um braço pelo ombro

camisa branca em fato escuro

parca felicidade sem assombro

¨¨

caminhar na lama

acender uma tarde sem chama

dobrar a folha da fama

construir a cama

ainda que seja apenas para um encontro de novenas

¨¨

e essa trindade da partida

(seja ela quando for)

vai até onde o farol a guia

e o lenço voa na despedida

cobre de saudade a dor

rasga o livro de poesia

maldita

dor

e agonia

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Alice

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

 

Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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Certeza

MINOLTA DIGITAL CAMERA

 

tantas sementes que semeio

tantos laços que enleio

tudo se perde

nada que se herde

assim, uma única vez

como o eco do talvez

condição

intenção

todo o viver é intenso

todo o fim é suspenso

como a morte e o ponto final

afinal

as pontes têm sempre um vazio

sobre um rio

ou uma vertigem

provações que se exigem

por mais que sofras, chores ou desistas

nada conquistas

basta o olhar

e o sol a brilhar

para teres toda a razão obsoleta

de imaginar a vida breve das asas duma borboleta

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Lareira

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hoje será outro semblante a jubilar

a acender a lareira

onde quer que seja o lar

sento-me na cadeira

e sonharei

com as fadas e os diabos e o silêncio

se não houver vento, soprarei

serei brasa, tentação e suplício

sem tempo nem noção

sentirás a cada momento o bater do coração

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Cantaria

Penso em palavras para escrever

Bailam como rédea solta

Morrem ao nascer da aurora

E não saiem da boca para fora

(Também não fazem falta

Para quem as não quer ler)

Vou gravá-las na pedra

Branca como mármore

Ou esculpi-las como ferida

No tronco duma árvore.

 

Cut and refresh!

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altura de votos

e desejos

iguais a tantos outros

sonhos de novo presos

ecos distantes de nuvens claras

navios soltos de tantas amarras

daqui a outros tantos dias

encher de novo as canecas vazias

cá estaremos, se pudermos

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storm-cloud-cloud-water-water

Photo on VisualHunt

não sonho quando me deito
não sorrio quando me levanto
sou um rio fora do leito
só a margem sabe o quanto
}
já fui até ao fim
de tudo o que não comecei
choro a raiva que há em mim
aquela que da lua herdei
}
tudo é errado
até o próprio erro
ontem disse ao passado
para não ir ao meu enterro

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