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Posts Tagged ‘Mãe’

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Photo by Tilman Haerdle on Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

porque foste e me deixaste

aqui sentado

a olhar o céu estrelado

ao ver a chuva cair

lembro-me desse sorrir

das palavras inéditas

que só tu sabias

e que as dizias

como se estivessem escritas

no livro que nunca leste

– e nesta fracção breve do que dou

terei sempre em mim a tua mão

o teu cabelo alvo

e em todos os sonhos que salvo

na noite sem escuridão

serei sempre mais daquilo que sou

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conjuntiva

Lack

Photo by that guy named Rob on Visual hunt / CC BY-NC-SA

 

se pudéssemos tomar posse

de nós mesmos

ir para lá do nascer do sol

indiferentes à matéria inerte da abastança

a condição primária da dança

da lágrima emocionada

na face da memória apagada

o silêncio duma lareira em cinzas

e de tantas outras coisas

que são de menos, negativas

poderíamos ser então os dedos entrelaçados

da mão

do não

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trinta e tal

fui e vi tudo outra vez

o que toda a gente fez

disse o que era e o que bebi

o que não vivi

o que sempre soube o que era o fim

o que nunca disse sobre mim

todo este vazio que me apodera

até ao sol quente da Primavera

resplandece

aquece

na conquista primária da vida

esquecida

onde a cada passo volta a esperança

da descoberta repentina nas mãos nuas duma criança

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um poço vazio

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Photo by kenmainr on Visual hunt / CC BY-NC-SA

todos os dias

e noites sem fim

guardo as alegrias

que já houve em mim

escondo o medo numa gaveta cheia

já nada me rodeia

a linha do horizonte é vertical

as lágrimas já não têm sal

nem lenço

mas ainda penso

que estás à minha espera, numa qualquer Primavera

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Photo via Visualhunt

o sal que se dissolve

na tua face

arrefece

mesmo depois de um beijo

ou dum abraço

não há espaço

nem ensejo

para entender o vazio que se move

na queda duma folha morta

que preenche a tua porta

e é tudo o que terás

quando o fim ficar para trás

 

 

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de grau

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Photo credit: akigabo via VisualHunt / CC BY-ND

a vida

e as suas cores

as suas dores

sombras e luzes

breve, conexa, oscilante, de fugida

de todas as formas que a uses

– será que a vontade suplanta a saudade?

¨¨¨¨¨¨¨

e vem o Outono

e as folhas caem

ao abandono

todas as lágrimas saem

por um simples beijo na testa

na cama desfeita depois da sesta

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algo

ritmo baixo, por entre tanta emoção sem lágrimas, deduzir imperativos menores, já que nada ensina a ser cavaleiro andante nem poeta errante.

encaixar espaço vazio com palavras certas, a quente, acordar para o dia crepuscular, tão cedo, tantas ideias, tantas conversas nunca tidas, impulsos contidos em páginas brancas, notas de rodapé, danças na escuridão do corredor iluminado pela luz alheia…

e mais uma tenaz reticência, pausa brusca, já lá vai o momento pródigo de dizer o exacto, de perceber o laço do sapato, da camisola azul gasta e reciclada. todos os dias a visto, como se regressasses a mim.

algo que tem tanto de teu como de meu.

a prosseguir…

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