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Posts Tagged ‘Outono’

ser nada para lá da escuridão

o que se busca é apenas sentir

o vazio

o sonho sem paixão

e tudo o que nunca há-de vir

num abraço ténue e macio

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de grau

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Photo credit: akigabo via VisualHunt / CC BY-ND

a vida

e as suas cores

as suas dores

sombras e luzes

breve, conexa, oscilante, de fugida

de todas as formas que a uses

– será que a vontade suplanta a saudade?

¨¨¨¨¨¨¨

e vem o Outono

e as folhas caem

ao abandono

todas as lágrimas saem

por um simples beijo na testa

na cama desfeita depois da sesta

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Após eu

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Fall on you

se a vida te espreme

e não há sumo

se a dor te queima

e não há fumo

a esperança treme

e a lágrima teima

vai e busca a lenha

e o garrote

mesmo que ninguém tenha

outra rima e outro mote

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copo vazio

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Photo via Visualhunt

já é tarde

para dar corpo à raiva

sem que ninguém saiba

que a vida nunca guarde

aquilo que não há

dentro dum copo vazio

sujo

partido

breve horizonte ferido

sem lágrimas de sabujo

vénias a mais para compadrio

(…)

deixem-me ser eu e as minhas portas fechadas

as folhas e as memórias perdidas na noite

a lucidez linear das diagonais difusas

o valor incógnito da equação gelada e solúvel

o outono ímpar de outros silêncios tangíveis

a luz imperceptível no firmamento das cinzas quentes

enciclopédia maior de todas as escusas

ébrio de tanta sobriedade

actor sem palco nem bastidores

(…)

por mim não te fascines

toda uma sinfonia desafinada

ainda que imagines

uma abóbora cheia de nada.

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o que sonho em pé ou sentado

no arco-íris de Outono

morre quando alguém o leva para outro lado

fica a dor e o abandono

os anos passam

a madeira apodrece

os olhos já não dançam

no descanso dessa prece

¨¨¨¨

ah, o encanto de outras eras perdidas

de outras vidas

desse longe que está tão perto

de peito aberto

nesse olhar triste que olha para o lado

frio e deitado

sem pressa, outro fim começa

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nesse canto onde se acumula a esperança

há um raio de sol pela manhã

nestas manhãs de Outono infinitas

é como o pó que nunca se limpa

fica à espera

pode ser que um dia venha o fim

finalmente ser livre de atenções e minúcias

e aí onde nem o sol alcança

escrevem-se palavras primárias e malditas

na pedra fria onde o esquecimento impera

conspiram, sussurrando, as odiadas súcias

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Souvenir

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Chama viva para outra esperança

cura

essa dor colorida

pinta de preto e branco o vento

tenta o momento

do raio de sol na despedida

onde a breve vaga perdura

embrulha os pesadelos do dia

ontem ninguém sabia

que o sangue dormia

na cama de palha

pois o coração dorme onde calha

e bebe o tinto da talha

nesta vida azeda e vaga

onde há mel e há abelhas

tantos querem que traga

os olhos como centelhas

é um repente que as apaga

na sombra das sobrancelhas

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Chão

ilumina

e serás eterna

pisa

e terás perdão

nesse chão

que numa noite sem lanterna

é a tua janela sem cortina

o desejo que ninguém precisa

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80

na construção da mentira

na elevação da verdade

a conclusão que se tira

é a regressão da saudade

do fim

da quebra

num banco de jardim

sem sombra

¨¨¨¨¨¨

ah, se o dia fosse sempre o mesmo traço

uma linha direita, lúcida e quente

ah, se a noite tivesse a força de um abraço

uma tensão controlada, previsível e consciente

mas quando o fogo se apaga

afia-se a lâmina da adaga

e combatem-se todos os demónios adormecidos

todos sentidos

na bruma

no nevoeiro

vida só há uma

há que descobri-la primeiro

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os números rodopiam

as palavras dançam sem ordem

uma desordem infinita

até que o finito seja um epitáfio

demasiado sombrio e desconexo

nesses momentos sem amplexo

de orações no cenotáfio

toda a fé é maldita

nem que os anjos acordem

quando as cordas se desfiam

¨

aqui não há tesouros

nem frescos bebedouros

só equações diferenciais

linhas rectas e diagonais

¨¨

nesta matemática impura

as leis supõem o erro

um resto que perdura

um declínio sem aterro

uma existência sem cura

¨¨¨¨

extenso sem letras nem lágrimas

porque só o fim é linear

entendo as breves máximas

que ficam sempre a pairar

como plumas ao vento

como soma do pensamento

desses momentos sem lástimas

¨¨¨¨¨¨

o método que causa a distância

a certeza que baixa os olhos

a esperança que cega a afirmação

o múltiplo que volta para trás

tudo numa só instância

de flores aos molhos

murchas pela negação

vencer sem trunfo nem ás

e do lilás se faz tinto

e é nada o que sinto

pois já findou o dia e a devolução do eco

tira-se a roupa e a máscara do boneco

I’ve got a little black book with my poems in
I’ve got a bag with a toothbrush and a comb in
When I’m a good dog they sometimes throw me a bone in
I got elastic bands keeping my shoes on
Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the TV to choose from
I’ve got electric light
And I’ve got second sight
I’ve got amazing powers of observation
And that is how I know
When I try to get through
On the telephone to you
There’ll be nobody home

from The Wall – Pink Floyd

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