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Posts Tagged ‘Poesia’

podia ser o finito

mas acabar é ser primeiro

que a luta

dizer sem ter dito

parte menor do inteiro

razão que se refuta

e quando a emoção

te toma os olhos

e a vitória são escolhos

o sim será sempre não

tudo é estranho

a lua

o caminho

a aurora sem tamanho

ela é tua

mas sonho sozinho

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21

tree-in-blossom

todos os dias me deito

e na cabeça despontam

palavras que doem no peito

que de tanta escuridão não aguentam

o abandono e a incerteza

mais do que uma gota de água doce

mais, muito mais que meditação

tudo o que imagino mais não fosse

um bater suave do coração

uma vela perfumada sempre acesa

só quando a morte junta as mãos

se recorda a vida que se finou

tristezas, alegrias e senãos

e tudo o que por dizer, ficou

mas onde há lágrima

há ombro e conforto

há barco, farol e porto

¨

o olhar volta-se para cima

onde há sol, noite ou nuvens

e aí despontam floridas paisagens

e se a poesia parece

uma prosa a florir

tantas vezes me apetece

um caminho árduo seguir

ψ

são apenas palavras constritas

gotas de chuva suave

são imagens quando ditas

feridas que a leitura lave

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A poem should be wordless

Ars Poetica 
A poem should be palpable and mute
As a globed fruit,Dumb
As old medallions to the thumb,

Silent as the sleeve-worn stone
Of casement ledges where the moss has grown–

A poem should be wordless
As the flight of birds.

*

A poem should be motionless in time
As the moon climbs,

Leaving, as the moon releases
Twig by twig the night-entangled trees,

Leaving, as the moon behind the winter leaves,
Memory by memory the mind–

A poem should be motionless in time
As the moon climbs.

*

A poem should be equal to:
Not true.

For all the history of grief
An empty doorway and a maple leaf.

For love
The leaning grasses and two lights above the sea–

A poem should not mean
But be.

 Archibald MacLeish

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o mundo lá fora

shallow

aqui no chão onde estou à espera, ouço as gaivotas a voar lá no alto, onde não chego nem quero chegar.

espero o fim, guardo o princípio, como se fosse a água pura que brota do passado, onde vão desaparecendo coisas e amigos e sentimentos, talvez o ciclo se vá sumindo, intermitente.

vou bebendo, vou esquecendo, num registo perdido na cinza fria.

todos os filtros que anularam a visão próxima, asfixiam a janela aberta ao calor do sol e da memória, fecham-se as cortinas e os livros por acabar, a envolvência descontínua do desejo alcançável torna-se ignorância, circunflexa.

mas continua a haver amanhã, ir e voltar, maré cheia e quarto minguante, inércias e sensações.

poemas de poetas mortos, luzes de estrelas eternas.

um viver singular, numa fé plural.

partir devagar.

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

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Red February

The Dream

Not long ago, in a charming dream,
I saw myself -- a king with crown's treasure;
I was in love with you, it seemed,
And heart was beating with a pleasure.
I sang my passion's song by your enchanting knees.
Why, dreams, you didn't prolong my happiness forever?
But gods deprived me not of whole their favor:
I only lost the kingdom of my dreams.

Aleksandr Pushkin

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Ced(r)o

começo a pensar no fim

onde tudo reverte a nada

dádiva incógnita de mim

pois toda a terra precisa de ser regada

quanto mais a insistência

mais os novelos se enlaçam

nas palavras não há ciência

apenas os dias se passam

¸

o líquido não é linear

a falta é uma dúvida

quando ser não é estar

produz uma incurável ferida

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espero o meu companheiro vento

para me levar para longe das emoções

voando ao sabor da sua voz

ouço a melodia sem lamento

guardadas que estão todas as paixões

na tristeza soberana que há em nós

¨

quando me deixas cair

sou um leve abraço colorido

que nada seja senão uma lembrança

da luz que há nesse sorrir

tudo o mais já não faz sentido

morta que foi toda a esperança

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