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Posts Tagged ‘Taleiga’

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Photo via Visualhunt.com

 

caminhos

por onde passam os ventos e os sorrisos

os passos são fios de linho

que tecem o que é preciso

depois há o eco suave do trovão

o repetido não!

a protecção da piedade

a justiça da verdade

de ficar e nada ser

apenas agarrar a mão estendida

ocultar as feridas

de todos os poemas que leres

nesse labirinto de sonhos e flores

há medos de todas as cores

 

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Photo via VisualHunt.com

nessa dúvida dispersa

de olhar o chão

há uma ilusão inversa

dos domínios da paixão

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

e nos intervalos do sono

desse quase sonhar vazio

fica o passado ao abandono

remenda-se o corpo frio

[…]

de volta a lugares onde houve certezas de um abraço

olha-se e outra lágrima saboreia a face

aquilo que era claro fica de novo tão baço

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moon

outros tantos lugares vagos

insolúveis

onde o amanhã é somente matéria

submissão e desleixo

essas obras feitas de palavras-alvo

seta

aprendizagem fortuita de criança só

sem continuidade nem raízes

num banco de jardim onde não há flores nem cisnes brancos

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Alice

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

 

Mia Couto, in “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

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fechar as asas

essa virtude aprendida sem receio

fugir do meio

do ninho cheio

do amor sem brasas

___

essas nuvens de empatia

tecto de tanta alegria

talvez sejam, um dia

horas amargas de paixão

penas caídas no chão

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nesta vida de fugas

silenciosa

do vento, sinfonia

sem cultivo de rugas

despretensiosa

da ilusão, poesia

¨¨¨¨

se tiveres em ti a verdade mais doce

se gostares da solidão como se o nada fosse

a multiplicação da incógnita infinita

terás sempre que lutar pacificamente com um medo quedo

mas não há sol que iluda

a morte e o pó

pois o amor muda

até ficar só

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Fel

quem dera que o pó cobrisse as entranhas do medo

esse medo que ri

e que encontra moedas gastas debaixo das pedras polidas

ontem parecia o fim da muralha ancestral

de tantos anos de amargura

amargura mestre de armas rombas

mas de novo os duendes pobres manifestaram a sua indiferença

diferente de tudo o que sobra ao final do dia

um encontro entre o nada e o vazio

remédio insano

verdade crua

lágrima nua

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foi em setembro

que tudo aconteceu

a vida, a morte e os entretantos

entre tantos que não lembro

aquele que era eu

entre diabos e santos

entre o solstício e a solidão

entre o ombro e a mão

fui ficando no meu canto iluminado pelas estrelas

deixando janelas abertas a quem quiser vê-las

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A poesia não se entrega a quem a define.”
Mário Quintana

 

se te debates com a multidão

essa que vive à sombra do presente

da responsabilidade ausente

(que importa o não?)

esse frágil momento de luxúria

perdido na luz efémera duma estrela cadente

ou num qualquer eco colorido e quente

lágrimas de frustração e fúria

falha a razão

amanhã se verá

o âmago da questão

ou de tanta vaidade que em ti não há

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MINOLTA DIGITAL CAMERA

nessa gasta perspectiva

 

entre  as linhas que voam no escuro

sorriem anjos e desventuras

todas essas que aturas

esquecendo para sempre o futuro

não é a idade que pesa

é a indiferença que lesa

esse murmúrio melodioso e odiado

que o vento dá sem destino

mas onde há corda, há sino

sina escondida neste brado

a valentia menor dá asas à frustração

diligência maior da imaginação

¨¨¨

a vontade é pouca

e pouco diz

a voz rouca

que ninguém quis

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