
De cada janela aberta pelo vento, há uma aragem nova que entra. Lá fora é constante. Saio pela porta.

De cada janela aberta pelo vento, há uma aragem nova que entra. Lá fora é constante. Saio pela porta.
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nada há onde se perder
nem a solidão
mas depois há negação
da noite ao amanhecer
espera pelo nó cego
que começou por ser laço
faz aquilo que eu faço
diz aquilo que nego

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Primeiro é o alento que sobe, depois a probabilidade estabiliza.
Torna-se cíclico e monótono.
Nada a que não tenha já ultrapassado, mas ao ritmo usual.
Será apenas provocação. Irá surpreender.
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nobreza de espírito é coisa que não se desencanta
só a pena
jamais saberei o que a surpresa canta
nesta vastidão amena
.
relego para sempre a tua deixa
como um talvez
uma dor que não se queixa
sem doer de vez
.
o parco semblante nada te diz
é tardio
esta utopia que sempre quiz
já não brota desta terra em pousio
.
sê mais que um desejo
depois será tarde tanto ensejo
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medi a régua e a palmo
as apagadas linhas da imaginação
mas nem assim a tempestade acalmo
só porque um dia flutuei mais que a razão
pudera ser um outro pardal
a saltar mais por não saber caminhar
cairia talvez num disfarçado lamaçal
por ter nascido sem saber gritar
acumula-se a poeira
aumenta a desorganização
passo a noite na cadeira
a ouvir o bater do coração
os segundos passam mortos
dão a volta e não descansam
não há navios nem portos
apenas marés que regressam
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Até a minha sombra já não me obedece. Fico imóvel na escuridão. Apenas a luz que se reflecte no espelho alimenta a vida na parede branca e velha. Vim de longe, percorri distâncias e obstáculos, derrubei barreiras, perdi batalhas e amizades. Desistir não basta. Há mais porque participar. Mas nunca num passado. O presente tem sombras. O espelho lá continua.
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nestas fórmulas desenhadas no velhinho papel pautado, resultam sempre paisagens austeras e revoltas.
nem a pausa para sonhar dá pistas na estrada deserta.

perdida a vontade de buscar a serenidade, ao longe desce no horizonte o quarto minguante que fez parte de nós.
as metas transformam-se em epitáfios…
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