Feeds:
Artigos
Comentários

Mesa vazia

ergam-se taças de cristal

digam-se palavras de circunstância

passeios pensativos por essa marginal

repletos de vagas lentas de elegância

« ¨¨¨¨¨*¨¨¨¨¨¨»

se fores um dia

paz na guerra

vida em casa vazia

semente única na terra

serás flor de inverno

ao sol frio

abraço terno

num olhar vazio

Ainda

então se o silêncio

a solidão

a lua cheia

fossem a unidade simples do universo

não era necessária a morte

ter nas mãos um difuso reflexo

e na alma uma folha sempre cheia

de trocas e lutas de ocasião

o justo é um cavaleiro sem espada

de capa rota

e vingança velada

neste sangue que esvai, gota a gota

e mancha sem suplicío

* < > *

voltei a não saber

a não chorar

pois todas as lágrimas que verter

serão apenas gotas nesse mar

se tens

que saber a força

da escuridão das paisagens

haverá sempre alguém que torça

a toalha molhada

a semente mirrada

o anel apertado

o papel rasgado

repete-se o hábito

de seguir a linha morta

da dor para lá do cúbito

guardada atrás da porta

Absoluto eco

se assim for

a perdição de saber

um reflexo negativo do pudor

a discórdia inocente para escrever

errar e vender a alma

que o diabo não merece

um plano fechado que se filma

onde apenas o acaso aparece

o que retorna

é a verdadeira melodia transparente

o brilho que adorna

a sombra fria e cadente

29

I hide myself within my flower
That wearing on your breast
You,unsuspecting, wear me too -
And angels know the rest

I hide myself within my flower,
That, fading from your vase,
You, unsuspecting, feel for me
Almost a loneliness

Escarificar

perder noção da vida desconhecida

dormir ausente na terra lavrada

encontrar razão na paz perdida

enfrentar o medo da palavra ousada

erguem-se ao longe as brisas frias

montam-se as invisíveis defesas

nas sombras leves que guias

escondem-se as simples belezas

criar é breve

morrer é memória

numa nuvem leve

se some uma história

se houvesse justa sabedoria

haveria defesa para a superstição perdida pela sinfonia da perdição

Sentidos

sempre a meio-caminho

entre o abismo

e o porto de abrigo

sem armas para a guerra

sem armas para a paz

- suja camisa de linho

usando sempre o mesmo

segredo que a ninguém digo

- sentir nas mãos a terra

e tudo o que nela jaz

¨

dentro de ti há muito

saberás dar a quem merece

pequeno é este intuito

e simples como parece

um dia é rápido demais

para quem tanto espera

a maré que sobe no cais

traz o barco que ninguém espera

eye

cresce a noite

sem estrelas

fria

a alma dói-te

como as palavras singelas

na folha vazia

falta tudo o que se teve

olha-se e esvazia-se

o momento é breve

a euforia vai-se

Abrir caminho

velhos hábitos, prudentes lições – se as souberes aprender

em volta desse centro aberto

que todos os dias pudessem ser

nada mais que um mar deserto

onde só tu fosses Neptuno

e as marés apenas cheias

num sol austral e sempre uno

- mas nunca liberto de velhas peias

sou eu

ou apenas nada

do que quase tudo se prometeu

atrás dessa cortina fechada

advogar a razão da serenidade

com melancolia

e chegar ao fim do dia

mais perto da eternidade

Mensagens Antigas »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.