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Posts Tagged ‘Being’

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Photo via Visualhunt

o sal que se dissolve

na tua face

arrefece

mesmo depois de um beijo

ou dum abraço

não há espaço

nem ensejo

para entender o vazio que se move

na queda duma folha morta

que preenche a tua porta

e é tudo o que terás

quando o fim ficar para trás

 

 

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algo

ritmo baixo, por entre tanta emoção sem lágrimas, deduzir imperativos menores, já que nada ensina a ser cavaleiro andante nem poeta errante.

encaixar espaço vazio com palavras certas, a quente, acordar para o dia crepuscular, tão cedo, tantas ideias, tantas conversas nunca tidas, impulsos contidos em páginas brancas, notas de rodapé, danças na escuridão do corredor iluminado pela luz alheia…

e mais uma tenaz reticência, pausa brusca, já lá vai o momento pródigo de dizer o exacto, de perceber o laço do sapato, da camisola azul gasta e reciclada. todos os dias a visto, como se regressasses a mim.

algo que tem tanto de teu como de meu.

a prosseguir…

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Sou isso, enfim

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

Ou metade desse intervalo, porque também há vida…

Sou isso, enfim…

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor.

Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

– 124.

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Photo via Visual hunt

um copo de vinho

para encontrar o caminho

um copo de água

para esquecer a mágoa

um passo em falso

cada degrau é demais

levanta-te, ou um dia cais

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Photo credit: Mark Dries via Visual hunt / CC BY-NC-ND

ainda não foi desta

que soltei a imaginação de outros dias

como a flor da giesta

que desponta nas primaveras frias

chego a casa

a cortina continua fechada

ser feliz não é nada

ser a lua e a madrugada

a estrela cadente na ponta da asa

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Photo via Visual hunt

breve momento de memória triste

condição de ser e de existir a cada dia

e assim seria

o início embriagado dessa melodia

que nunca desiste

de ser cal e pó

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Isso

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Photo credit: Vincepal via Visual Hunt / CC BY

embriago-me no silêncio da escuridão

e sinto a tua mão

o livro fechado que abriste

será apenas isso

um amarrotado esquisso

uma emoção que já não existe

procuro as palavras ocultas que me disseste

e a melodia suave no vento leste

e todo o amor que nunca pediste

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